O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), Sidônio Palmeira, declarou neste domingo (11.out.2026) que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) errou a conta ao afirmar que a queda dos juros financiaria o corte de gastos que o PT chama de “tesouraço”. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas no comitê de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), localizado no Lago Sul, em Brasília.
Impacto econômico e divergências de valores Segundo o titular da pasta, cada 1 ponto percentual nos juros representa um montante de R$ 50 bilhões, afirmando que o adversário político demonstra desconhecimento sobre o orçamento público.
“Ele precisa primeiro aprender a fazer conta”, afirmou Sidônio. O ministro acrescentou que o concorrente “não entende de orçamento” e mistura conceitos fiscais distintos. De acordo com ele, a proposta visa retirar recursos “do povo, e não dos poderosos”, além de tentar “enganar o povo brasileiro”. “É melhor ele estudar mais um pouquinho”, declarou.
Contexto da proposta de corte de gastos Reportagem publicada na 5ª feira (8.out) indicou que a assessoria econômica ligada a Flávio planeja suprimir cerca de 2% do PIB em despesas obrigatórias, montante próximo a R$ 250 bilhões, atingindo setores como Previdência, BPC (Benefício de Prestação Continuada) e pisos de investimentos em saúde e educação.
Anteriormente, em 24 de julho, o então pré-candidato havia mencionado a intenção de promover um ajuste fiscal rigoroso caso fosse eleito, descartando reduções que afetassem beneficiários de salário mínimo e aposentadorias, apostando na diminuição da burocracia e combate à corrupção.
Debate público sobre o orçamento Em resposta a um questionamento lançado por Lula em vídeo publicado no sábado (10.out), o candidato opositor argumentou que cada ponto percentual de redução na taxa básica liberaria R$ 100 bilhões, projetando uma queda de 2 a 3 pontos percentuais com sua vitória. Sidônio retrucou o raciocínio: “Onde é que ele vai tirar isso?”.
Dados da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) apontam que um acréscimo de 1 ponto percentual na Selic por um ano eleva a dívida bruta em aproximadamente R$ 57,3 bilhões, valor alinhado ao citado pelo governo, mas distante dos R$ 100 bilhões indicados pela oposição. Especialistas lembram que o impacto de variações de juros incide sobre a dívida bruta e não gera economia orçamentária imediata.
Riscos apontados pela base governista A coalizão governista sustenta que o plano de ajuste fiscal prejudicará a população de baixa renda, atingindo programas sociais e serviços essenciais.
“Esse tesouraço vai mexer com a vida dos mais pobres”, disse Camilo Santana, senador e ex-ministro da Educação, atuando como porta-voz da campanha presidencial. O parlamentar alertou para riscos em iniciativas como a Farmácia Popular, o programa Mais Médicos, o fornecimento de merenda escolar, bolsas do ProUni e a manutenção das instituições federais de ensino, além de apontar a possível suspensão de ganhos reais para o salário mínimo.






