A Al Masirah TV, emissora controlada pelos Houthis, grupo extremista do Iêmen, noticiou neste domingo (11) um ataque que, segundo ela, foi realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, capital ienamita, embora ainda não haja confirmação oficial sobre a investida.
Nova ofensiva em Riade
Pouco depois foi a vez da coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmar que um projétil não identificado atingiu o terminal 4 do Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital saudita, Riade, atingido um dia antes por bombardeio que matou 12 pessoas e feriu mais de 300. Os rebeldes confirmaram a autoria da ação e assumiram também investidas contra o aeroporto de Dammam e instalações da Aramco, na província oriental.
Antes das novas explosões, o grupo extremista emitiu um comunicado severo sobre os riscos na região. “Reiteramos nosso alerta a todas as companhias aéreas, especialistas, funcionários, trabalhadores e viajantes contra o uso dos aeroportos e do espaço aéreo saudita, pois são vulneráveis a ataques e se tornaram alvo de operações para nossas forças, com exceção dos aeroportos em Meca e Medina (cidades sagradas). Instamos a todos a levarem nossos avisos a sério, e a Arábia Saudita é responsável por quaisquer interceptações malsucedidas”, diz o post.
Segundo relatos, o bombardeio ao terminal Rei Khalid aconteceu sem que o sistema de defesa emitisse alertas prévios, representando a ocorrência mais letal desse tipo no reino em mais de uma década. O governo iemenita conta com o apoio saudita no confronto contra os insurgentes apoiados pelo Irã. Mohammed al-Bukhaiti, uma das principais autoridades do grupo rebelde do Iêmen, afirmou que a ofensiva foi uma retaliação aos bombardeios realizados pela Arábia Saudita contra o território iemenita, conforme destacou o jornal The New York Times.
Impacto na economia e na educação
Mesmo com o fechamento temporário do terminal aéreo em Riade e a manutenção de eventos como o Congresso de Energia da WPC — previsto para ocorrer a poucos quilômetros do local com centenas de líderes globais —, o Ministério da Educação determinou mudanças na rotina local. “Seguindo instruções do Ministério da Educação, todas as escolas de Riade passarão para o ensino à distância durante toda a semana”, dizia um e-mail enviado aos pais, visto pela AFP.
Empresas como Kuwait Airways, Etihad Airways e Qatar Airways suspenderam rotas para a capital saudita. Diante da instabilidade, embaixadas de potências globais como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Espanha emitiram fortes recomendações para que cidadãos evitem a área, exigindo inclusive autorizações especiais para diplomatas americanos.
Questionado sobre a crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu a possibilidade de um envolvimento militar direto. “Talvez. Vamos analisar. Acabamos de saber do ataque mais recente, então vamos tomar uma decisão. Agimos muito rapidamente”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
Histórico de tensão recente
O aeroporto Rei Khalid já havia sido alvo de um ataque nesta quinta-feira (8), que danificou uma aeronave comercial. A sequência de episódios intensifica a guerra na região, marcada por confrontos no estreito de Bab el-Mandeb e pelo cerco à cidade de Taiz, evidenciando o acirramento das hostilidades entre as partes envolvidas.






