As autoridades de segurança da Espanha realizaram, neste domingo (11), a remoção do último assentamento irregular de imigrantes localizado nas faixas de areia de Ceuta, território ultramarino espanhol situado no norte do continente africano. A operação policial aconteceu com antecedência de apenas dois dias em relação à viagem oficial programada pelos monarcas do país à região.
Operação na praia de Guano Por volta das 7h, horário local, as forças de segurança compareceram à praia de Guano. Na ocasião, os ocupantes foram obrigados a abandonar suas tendas provisórias e a se acomodar em blocos no solo, sendo posteriormente escoltados para o interior de um transporte coletivo.
Conforme veículos de comunicação da região, o coletivo transportou os indivíduos até um Centro de Assistência Temporária a Estrangeiros (CATE) com o objetivo de efetuar o registro e a conferência de identidade. Assim que o local foi desocupado, equipes de limpeza entraram em ação para recolher e descartar uma grande quantidade de abrigos improvisados, colchonetes e objetos particulares deixados para trás.
Contexto da visita real e tensões geopolíticas O Rei Felipe e a Rainha Letizia desembarcam em Ceuta nesta terça-feira (13). O deslocamento da realeza sucede em um cenário marcado por antigas divergências diplomáticas com o Marrocos, país vizinho que reivindica o domínio sobre Ceuta e sobre o enclave vizinho de Melilla.
O processo de desocupação das áreas públicas teve início no mês anterior, logo após a inauguração de uma estrutura de acolhimento provisório na zona portuária, projetada para abrigar até 1.700 pessoas. O remanejamento dos estrangeiros que viviam em condições precárias nas praias locais gerou episódios de tumulto.
A cobertura de veículos de imprensa locais evidenciou o emprego de força policial para dispersar aglomerações formadas por indivíduos que tentavam assegurar uma vaga no abrigo. Embora tenham comemorado inicialmente a mobilização, os migrantes que aguardavam vagas acabaram se envolvendo em tumultos decorrentes da disputa pelos lugares restritos.
O contingente policial efetuou disparos de balas de borracha para o alto e utilizou cassetetes contra alguns estrangeiros antes que a ordem fosse restabelecida e a diligência pudesse prosseguir.
Crise migratória e impacto local Os estrangeiros transferidos para os pavilhões provisórios erguidos pelo Estado espanhol integram o contingente de mais de 70 mil pessoas que ingressaram em Ceuta durante um fluxo migratório expressivo ocorrido no final do mês de julho.
Apesar de grande parte dos recém-chegados ter retornado de forma imediata ao território marroquino, estimativas de órgãos locais apontam que cerca de 13 mil indivíduos continuam alojados em Ceuta. O enclave possui dimensões reduzidas, com apenas 18,5 km² de extensão e aproximadamente 80 mil habitantes, o que tem motivado protestos cotidianos da comunidade local em prol da normalidade urbana.
Diante do cenário, a administração central tenta acelerar os processos de repatriação. Contudo, as normas vigentes exigem a identificação individualizada de cada pessoa para verificar a elegibilidade a refúgio ou a possibilidade de expulsão, enquanto milhares de menores desacompanhados necessitam de salvaguardas legais específicas.






