O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou em Atlanta, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 30, para participar da Cúpula de Chanceleres do G20. Esta viagem marca o primeiro contato oficial entre representantes dos dois governos desde o pleito presidencial no Brasil, cujo desfecho ainda não recebeu reconhecimento formal da Casa Branca.
Encontro com Marco Rubio O evento é liderado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, responsável pela diplomacia na gestão de Donald Trump e visto como o principal elo entre Washington e a família Bolsonaro. A programação oficial não prevê uma reunião bilateral reservada entre Vieira e Rubio, embora exista a expectativa de diálogos informais durante os preparativos para a Cúpula de Líderes, agendada para dezembro.
Negociações e resistência brasileira Durante o fim de semana, a prioridade das conversas é a elaboração da declaração conjunta que será submetida aos chefes de Estado no encerramento do ano. Membros do alto escalão brasileiro adotam tom prudente e descartam expectativas de progressos significativos.
As divergências entre os governos já haviam se manifestado em setembro, durante uma assembleia econômica do G20 em Milwaukee, Wisconsin. Na ocasião, o Brasil bloqueou a maioria das iniciativas apresentadas pela liderança norte-americana, impedindo o consenso e paralisando pautas prioritárias dos Estados Unidos.
Atritos políticos e o caso Flávio Bolsonaro As relações bilaterais enfrentam turbulências adicionais devido à postura de Donald Trump, que evitou parabenizar Lula pelo seu quarto mandato e chegou a levantar suspeitas sobre o pleito brasileiro, classificando a votação como uma “desgraça”.
Outro ponto de conflito envolve o apoio logístico da Casa Branca à saída do senador Flávio Bolsonaro do território brasileiro. Derrotado na disputa presidencial, Flávio partiu para a Argentina na terça-feira, 27, e seguiu para Miami na quarta-feira, 28, utilizando um passaporte italiano. A viagem burlou uma decisão do ministro Alexandre do Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que ordenara a retenção dos documentos do parlamentar para evitar risco de fuga, conforme alerta da Polícia Federal. Investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o senador contou com um jato disponibilizado pela gestão norte-americana, conforme revelado pelo The New York Times e confirmado por assessores da presidência dos EUA, além da concessão de vistos pelo Departamento de Estado.
Perda de espaço do G20 Diante desse cenário, a gestão de Lula avalia que o bloco perdeu protagonismo sob a tutela dos Estados Unidos. Para assessores do Palácio do Planalto, a administração republicana avançou de forma tímida nos debates do grupo e enfraqueceu conquistas da gestão brasileira, como a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. O foco atual da Casa Branca em pactos bilaterais levou o país a abandonar dezenas de fóruns multilaterais ao longo do ano, sob a justificativa de proteger a soberania nacional.






