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Poder de compra de fertilizantes pelo produtor de café recua no início da safra

Café: poder de compra de fertilizantes pelo produtor recua no início da abubação da safra; entenda

As principais regiões produtoras de café no Brasil, com destaque para o interior paulista e o Sul de Minas, registraram uma queda no poder de compra de fertilizantes logo no início da adubação para a safra de 2027/2028, em setembro.

Mudanças na relação de troca Levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) aponta que o produtor precisou desembolsar quase 20% a mais do grão em setembro para adquirir a mesma quantidade de adubo na comparação com agosto.

“Considerando-se o Indicador Cepea/Esalq do café arábica e os preços médios dos insumos no estado de São Paulo, o produtor precisa de 19,4% mais café neste mês para comprar a mesma quantidade de adubo que em agosto, quando os produtores já se organizavam para a primeira adubação da safra 2027/28”, especificou o Centro de estudos.

Diferente do cenário histórico anterior, quando as cotações alcançaram máximas históricas — com o arábica negociado a R$ 2.700 a saca em setembro de 2026 —, neste ano os valores recuaram.

“Neste ano, os preços ficaram na casa de R$ 1.600 a saca de 60 kg para o arábica e dos R$ 990 a saca ao robusta”, detalhou.

Apesar de o adubo já ter sido aplicado em grande parte dos cafezais, novas remessas de insumos são esperadas até o encerramento do ano e nos primeiros meses de 2027.

“Assim, o planejamento das compras já pode estar em andamento”, detalhou.

Impacto do clima e perspectivas futuras O clima úmido e as chuvas atípicas registradas no inverno nas principais zonas cafeeiras também acenderam o alerta no setor. Cerca de 30% da safra 2026/2027 ainda aguardava colheita quando as precipitações ocorreram, o que ameaça diretamente a qualidade dos grãos e o padrão da bebida para exportação.

O mercado global permanece altamente dependente da produção nacional, que poderá enfrentar uma bienalidade baixa na próxima temporada.

“De certa forma, o mercado global segue muito dependente da produção brasileira, que, na próxima safra, deve ser de bienalidade baixa. Apesar da boa entrada de lavouras renovadas em produção, é significativa a parcela de lavouras que carregaram volume elevado de café na safra 2026/27, o que pode tornar relevante a proporção de talhões conduzidos à safra zero na temporada seguinte”, disse.

Reflexos na xícara e no processamento O excesso de umidade durante a secagem altera características essenciais dos grãos, como densidade e tamanho, além de comprometer a avaliação sensorial exigida pelo mercado internacional.

“Nesse período, o tamanho do grão do café já está formado, não tem muito o que mudar. Mais, [o cenário] prejudica principalmente a bebida, que é um dos critérios nas fases de classificação do café. Quanto melhor a bebida – um café que secou mais bem – mais valorizado ele é. É o principal produto nosso de exportação”, explica o pesquisador.

Baristas apontam que lotes submetidos à umidade excessiva e fermentação indesejada podem desenvolver perfis sensoriais atípicos.

“As características sensoriais que geralmente são encontradas nas bebidas feitas com lotes que sofreram algum tipo de contaminação ou tiveram algum descuido no processamento nos revelam nuances sensoriais que nos remetem a medicamentos, sabores acético, adstringentes que ‘amarram’ a boca”, exemplifica.

Apesar das adversidades climáticas e das oscilações de custos, o mercado busca alternativas para adaptar o produto final, seja na indústria ou nas cafeterias.

“Desequilíbrios climáticos sempre afetam de alguma forma, tamanho dos grãos, o enchimento do frutos, os nutrientes do solo, a densidade. Cada safra tem suas particularidades e o mercado sempre encontra a melhor forma de utilizar os frutos colhidos. Tanto as torrefações artesanais, as industriais, as cafeterias e o consumidor em casa, encontra uma forma de fazer a bebida ser a melhor possível na xícara”, pondera.

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