Um aposentado de 63 anos perdeu R$ 637,63 ao tentar adquirir um telefone celular pela internet em Praia Grande, litoral paulista. O prejuízo ocorreu após o consumidor clicar em um link patrocinado em um buscador web que simulava o ambiente virtual de uma grande rede de varejo nacional.
O passo a passo da fraude digital
O episódio teve início no dia 11 de outubro, quando o morador realizou pesquisas online em busca de ofertas para aparelhos da marca Xiaomi. Conforme o seu relato, o primeiro resultado exibido na editoria de produtos patrocinados exibia um smartphone da linha POCO, direcionando-o para uma página com forte semelhança visual à da rede Magazine Luiza.
Acreditando se tratar de uma oportunidade legítima em virtude da concorrência de mercado, a vítima concluiu a transação financeira por meio de Pix. Na sequência, os fraudadores enviaram comprovantes fiscais falsos e códigos fictícios de rastreio para dar veracidade à operação.
Tentativas de entrega e alerta na loja física
O esquema incluiu quatro avisos falsos de remessa até que, no domingo seguinte, o sistema indicou a suposta conclusão da entrega, embora nenhum pacote tenha chegado ao endereço. Diante do impasse, o comprador se dirigiu a uma unidade física da varejista situada no bairro Boqueirão.
No local, um funcionário atestou a ausência de registros comerciais no sistema corporativo e esclareceu que o modelo de telefone em questão não é comercializado nas lojas físicas, integrando apenas o marketplace online com valores iniciais de R$ 1.219,74. Durante o atendimento, o colaborador pontuou que a empresa já acumulava outras queixas semelhantes sobre páginas fraudulentas.
“O que eu não sabia era que esses [sites] patrocinados são golpistas. […] O estranho para mim é saber que eles têm essa facilidade em colocar patrocinados e ofertas de várias lojas. […] Você está em busca de melhor preço […] e, como há essa demanda de lojas, lojas físicas fechando e fazendo promoções, eu acreditei ser uma”, afirmou.
O funcionário também teria orientado sobre a persistência dos criminosos na rede: “A gente derruba cem sites e eles criam mais cem. Quando você vir valores ilusórios, valores estranhos, desconfie”.
Posicionamento das empresas envolvidas
A rede varejista consultada não se manifestou sobre o ocorrido até o fechamento da apuração. Em contrapartida, o buscador informou por meio de nota oficial que adota diretrizes rigorosas para o ecossistema de compras:
“Temos políticas robustas que delimitam a forma como pessoas e empresas podem anunciar produtos por meio do Google Shopping, incluindo a proibição de declarações falsas e promoções enganosas. Quando identificamos uma violação às nossas políticas, agimos imediatamente suspendendo o anúncio e, até mesmo, bloqueando a conta do anunciante. Se algum consumidor suspeitar ou for vítima de golpe, oferecemos uma ferramenta para denunciar violações de nossas políticas. No Brasil, ao longo de 2025, bloqueamos ou removemos 374 milhões de anúncios e suspendemos 1,3 milhão de contas no mesmo período, conforme os dados do Relatório de Segurança de Anúncios. Se algum consumidor suspeitar ou for vítima de golpe, oferecemos uma ferramenta para denunciar violações de nossas políticas.”
Mesmo abalado emocionalmente pela perda financeira, o consumidor destacou o suporte familiar recebido e planeja formalizar um boletim de ocorrência para registrar o caso na polícia civil.
“[A sensação] foi de aborrecimento, […] foi uma coisa muito pesada. [Foi] dinheiro perdido, dinheiro suado”, lamentou.






