O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 25,5 milhões de interações nas redes sociais nas 24 horas seguintes ao debate presidencial da Band, realizado no domingo (18.out.2026). O resultado é 5,1 vezes superior ao do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que somou 5 milhões de interações no mesmo período.
Confronto movimenta a internet Os dados foram divulgados pela Agência Bites nesta 2ª feira (19.out.2026). O levantamento também identificou que Lula ganhou 176 mil seguidores depois do confronto, recuperando a vantagem digital sobre o adversário. Apesar do maior engajamento do petista, Flávio foi mais associado diretamente ao debate nas publicações monitoradas, com 426 mil referências, ante 288 mil de Lula.
O embate gerou 1,7 milhão de citações nas redes sociais no Brasil até as 12h de segunda-feira. Segundo a Bites, o volume correspondeu a 20% do conteúdo digital produzido no país no período analisado. Nas publicações sobre memes e cortes do debate, Lula também apareceu à frente, com 9.500 posts, ante 7.000 de Flávio.
Buscas no Google alcançam recorde histórico O levantamento também analisou o interesse dos brasileiros no Google após o evento. Segundo a Bites, o confronto entre Lula e Flávio alcançou o maior interesse da série histórica de debates presidenciais monitorada desde 2004, superando o recorde anterior, registrado no confronto entre Lula e Jair Bolsonaro (PL), em 2022.
Entre as 25 consultas relacionadas a Lula examinadas pela consultoria, o nome de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apareceu em 20. No caso de Flávio, o assunto mais recorrente foi Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta em 2021 por um policial militar defendido pelo senador. O tema apareceu em 9 consultas.
“O flanco de Flávio é a história envolvendo Ana Clara; o de Lula, o seu filho Lulinha e as relações dele com a empresária Roberta Luchsinger”, escreveu Manoel Fernandes, diretor da Bites, no relatório.
Impacto da estratégia de André Janones O aumento do interesse pelo caso Ana Clara ocorreu durante uma mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp Exército do Lula. Durante o debate, Janones orientou os seguidores do canal a pesquisar termos negativos relacionados a Flávio Bolsonaro. Às 22h10 de domingo (18.out), o deputado pediu que os integrantes pesquisassem no Google as expressões “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”.
“Porque assim, essas buscas sobem nos Google Trends, e a Band tá anunciando quais são as principais buscas no Google”, escreveu Janones. Às 22h48, os 3 termos estavam entre as principais tendências de pesquisa no Brasil. “Flávio miliciano” registrava mais de 500 mil buscas, enquanto “Flávio Comando Vermelho” e “Flávio Ana Clara” superavam 100 mil buscas cada. Todas as expressões apresentavam crescimento superior a 1.000%.
Sigilo bancário e comportamento digital Outro assunto que ganhou destaque nas redes sociais foi o pedido de Lula para a abertura do sigilo bancário de Flávio. O tema registrou 501 mil citações até as 15h de 2ª feira (19.out), mas não apareceu entre as consultas relacionadas aos candidatos examinadas pela Bites.
Para Manoel Fernandes, as diferenças entre os resultados mostram que o comportamento dos usuários nas redes sociais nem sempre corresponde ao interesse registrado nas ferramentas de busca.
“Nem sempre o fluxo das redes é convergente com as buscas no Google”, escreveu.
Segundo o diretor da Bites, o anonimato das pesquisas permite observar interesses que nem sempre são manifestados publicamente nas redes sociais. Fernandes descreveu esse comportamento como “uma espécie de inconsciente coletivo digital do país”. Os resultados demonstram que os indicadores digitais captaram movimentos distintos após o debate, dividindo atenções entre engajamento, seguidores e temas de busca instantânea.






