Os beneficiários de todo o país passam a receber, a partir desta segunda-feira (19), os depósitos do Bolsa Família com valores atualizados. A correção, autorizada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repõe 15,04% referentes às perdas inflacionárias medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre o relançamento do programa, em 2023, e agosto de 2026.
Novos valores e benefício médio
Com a atualização na tabela, o patamar mínimo transferido mensalmente a cada família sobe de R$ 600 para R$ 691. Paralelamente, o tíquete médio depositado nas contas dos inscritos avançou de R$ 675 para R$ 777, representando um acréscimo de aproximadamente R$ 100 no orçamento doméstico das famílias em situação de vulnerabilidade.
Impacto orçamentário e fontes de custeio
As despesas extras exigidas pela medida somarão R$ 5,8 bilhões no exercício atual, incidindo a partir da folha de pagamentos de outubro. Já para 2027, o custo anualizado está calculado em cerca de R$ 22 bilhões, montante que será incorporado via ajuste no Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado ao Congresso Nacional.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ampliação do programa não rompe o teto de gastos nem depende de créditos extraordinários. A equipe econômica sustenta que o espaço no orçamento decorre da redução da fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), processo que gerou sobras de caixa na Previdência Social. O detalhamento formal dessa compensação fiscal está previsto para constar no relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas.
Contexto e repercussão política
O anúncio do incremento na renda das famílias de baixa renda ocorreu a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, em um cenário de pressão nas pesquisas de avaliação do governo. O Palácio do Planalto, contudo, rechaça motivações eleitorais na liberação dos recursos.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, reforçou que o plano de recomposição do poder de compra vinha sendo estruturado antes do calendário eleitoral e assegurou que as contas públicas dispõem de folga suficiente para acomodar a elevação sem comprometer as metas fiscais.






