A economia da Argentina se tornou o centro das discussões políticas durante o debate presidencial brasileiro, evidenciando divergências sobre os rumos adotados pelo governo do país vizinho.
Impacto político na eleição brasileira
O tema entrou em pauta quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o candidato Flávio Bolsonaro sobre sua proximidade com Javier Milei, levantando dúvidas se o adversário pretendia reproduzir a política econômica argentina no Brasil. A discussão surgiu após Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontar a gestão de Milei como referência para a desburocratização e redução de impostos.
Crescimento do PIB e disparidade setorial
Os indicadores econômicos mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino registrou alta de 2,3% no primeiro trimestre de 2026 e de 2% no segundo trimestre, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Apesar da expansão, houve perda de ritmo entre os trimestres, com recuo no consumo privado, investimentos e gastos públicos. A recuperação econômica tem sido desigual, impulsionada por setores exportadores como mineração, pesca e agropecuária, enquanto a indústria de transformação e o comércio interno enfrentam quedas expressivas.
Desaceleração da inflação e avanço da pobreza
Um dos principais trunfos do governo de Javier Milei é a queda expressiva da inflação, que despencou de quase 290% em 12 meses para cerca de 30% após dois anos de gestão, atingindo uma taxa mensal de 1,7% em agosto de 2026. Contudo, essa estabilização de preços veio acompanhada de forte ajuste fiscal e gerou reflexos sociais negativos. A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza subiu para 32,3% no primeiro semestre de 2026, afetando 9,7 milhões de pessoas, enquanto a extrema pobreza avançou para 7,5%.
Desemprego e desafios para o empresariado
O mercado de trabalho também reflete as dificuldades da população, com a taxa de desemprego alcançando 7,9% no segundo trimestre de 2026 e quase metade dos trabalhadores na informalidade. Além disso, o número de empregadores com funcionários registrados apresentou queda consecutiva, somando uma redução de 6,3% entre novembro de 2023 e julho de 2026. Entidades empresariais apontam que o consumo enfraquecido, o endividamento das famílias, os custos elevados e a maior abertura às importações continuam a pressionar severamente as pequenas e médias empresas locais.






