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Pão com linguiça de Gramado é declarado patrimônio cultural imaterial

Saiba por que pão de R$ 9 virou patrimônio cultural de Gramado, principal destino turístico da Serra Gaúcha

O tradicional pão com linguiça comercializado em fornos comunitários no centro de Gramado, na Serra Gaúcha, conquistou o título oficial de patrimônio cultural imaterial do município. O reconhecimento legal protege a receita e o modo de preparo artesanal transmitido por gerações na região.

Receita tradicional e memórias afetivas Preparado com farinha de trigo, açúcar, ovo, sal, fermento, banha de porco, linguiça fresca e queijo, o alimento desperta recordações de infância em moradores locais. A agricultora Jurema Lurdes Weber guarda na memória os tempos em que acompanhava a mãe na feitura dos pães em um forno de barro.

“Dentro de casa, além do pão normal, tinha o pão com linguiça também. A mãe fazia no forno de barro. Eu era criancinha e corria atrás dela enquanto ela preparava o pão. São lembranças que não saem da memória da gente”, conta.

O saber-fazer e a herança dos colonos A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) aponta que o lanche preserva os hábitos alimentares dos antigos colonos, utilizando insumos típicos das propriedades rurais, a exemplo da banha de porco e da linguiça fresca de produção caseira. O grande diferencial é assar a linguiça crua diretamente junto com a massa.

Impacto na agricultura familiar Cerca de 200 agricultores locais atuam na fabricação e na venda do produto, revezando-se nos fornos situados na área central e na localidade de Várzea Grande. O fluxo de visitantes impulsiona as vendas, especialmente no período do Natal Luz, quando a estimativa de consumo ultrapassa três mil unidades diárias. O secretário de Agricultura de Gramado, Eliézer Lima, destaca a importância dessa ligação com o campo.

“O turismo não anda sem o interior. Esse espaço mostra exatamente como era feito antes lá no nosso interior e apresenta a nossa essência, nossa origem e nossa cultura”, diz.

Atração turística indispensável A fama do quitute ultrapassou as divisas estaduais, tornando-se parada obrigatória para quem visita o município gaúcho. A fonoaudióloga Karen Alves Dantes, vinda de São Luís (MA), incluiu a iguaria em seu roteiro após conferir indicações na internet.

“Um dos lugares indicados era o pão com linguiça, que era bem famoso. Então a gente falou que precisava provar porque é uma das comidas mais comentadas na internet”, relata.

Já a produtora Karyne Santos, residente em Minas Gerais, enxerga semelhanças com a culinária de seu estado natal e reforça o valor de resguardar tais costumes.

“Isso diz muito da cultura daquele lugar e dos hábitos das pessoas. A comida aproxima e reúne as pessoas”, afirma.

Identidade preservada para o futuro Para órgãos técnicos, o produto vai muito além da gastronomia, sintetizando as heranças das colônias alemã e italiana que moldaram a identidade gramadense. A proteção legal assegura que a história e o modo de vida tradicionais continuem vivos para as próximas gerações de moradores e visitantes.

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