O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), consolidou-se como uma das principais ferramentas de mobilização digital no cenário político brasileiro, reunindo 4,91 milhões de seguidores no WhatsApp.
A gamificação da política e as missões no WhatsApp Diferentemente dos métodos tradicionais de campanha, a iniciativa aposta na chamada “gamificação” da política, utilizando uma linguagem de forte tom militar com convocações, missões e comandos para acelerar a propagação de conteúdos políticos. O uso frequente de áudios e emojis estimula os apoiadores a cumprirem tarefas simultâneas de compartilhamento.
Em uma gravação enviada aos seguidores em 16 de outubro, o parlamentar exigiu total dedicação dos simpatizantes: “É momento de não almoçar, de não jantar, de não namorar, de não tomar banho, se preciso for. É hora de focar só em uma coisa, de reeleger esse homem, de reeleger o Lula. Então são 3 missões ao mesmo tempo. Senta o dedo, vai lá no X agora e executa as 3 missões. Eu quero as 3 hashtags de uma vez só”. Em outro registro, ironizou a participação do titular da chapa: “Vocês querem que o Lula pare o evento dele aqui, que ele desce (sic) do caminhão e vai lá pro X fazer hashtag? Pelo amor de Deus, essa função é nossa”.
Funcionamento dos algoritmos e embates judiciais Em entrevista concedida a jornalistas na terça-feira (13), Janones explicou que a orientação para que os seguidores curtam, comentem e compartilhem o material antes mesmo de assisti-lo é uma técnica voltada a estimular o algoritmo da Meta, pois o engajamento imediato sinaliza relevância e amplia o alcance orgânico. O deputado também declarou: “Eu conheço o plano deles, só que eles não conseguem porque eu sei fazer o que eles fazem de uma maneira pro bem”. A oposição, liderada por nomes como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), acionou a Justiça sob a acusação de disseminação de notícias falsas, resultando em intensas disputas jurídicas e ordens cruzadas de suspensão emitidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Regras eleitorais e histórico político A atuação do canal ocorre em meio às normativas do TSE que limitam a distribuição automatizada de propaganda eleitoral, exigindo a exclusão de perfis oficiais dos sistemas de recomendação pelas plataformas, regra que não proíbe o compartilhamento voluntário. A trajetória de Janones ganhou projeção nacional durante a greve dos caminhoneiros em 2018 e na defesa do auxílio emergencial em 2020, culminando em sua aliança com o atual presidente em 2022 após desistir de sua pré-candidatura presidencial pelo Avante.
Apesar de enfrentar processos no Conselho de Ética, incluindo uma suspensão de mandato em julho de 2025 e pedidos de cassação arquivados, o congressista manteve sua estratégia digital em foco. Após idas e vindas judiciais envolvendo o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva, o canal foi mantido no ar mediante o cumprimento de obrigações de registro e identificação clara de autoria perante a Justiça Eleitoral.






