A pequena Bella Cruz Grande Rodrigues, de oito anos, natural de Sorocaba, no interior paulista, enfrenta uma corrida contra o tempo para realizar uma cirurgia neurológica de alta tecnologia em Teresina. Diagnosticada com paralisia cerebral, a garota sofre com dores constantes e risco de perder movimentos após um estirão de crescimento recente que encurtou sua musculatura, anulou tratamentos anteriores e provocou o deslocamento parcial do fêmur no quadril.
O desafio da rigidez muscular O procedimento necessário é a Rizotomia Dorsal Seletiva, técnica que atua diretamente nos nervos das pernas para diminuir a rigidez e prevenir deformidades permanentes antes que a menina encare um novo pico de crescimento. Com os ossos crescendo em ritmo mais acelerado que os músculos, as aplicações de toxina botulínica perderam o efeito, tornando a rotina de cuidados diários extremamente dolorosa e desgastante para os pais.
Desafios desde os primeiros dias A trajetória de Bella é marcada por superações desde o nascimento prematuro extremo, em novembro de 2017, decorrente da síndrome Hellp desenvolvida pela mãe durante a gestação. Após quatro meses na UTI neonatal e uma parada cardiorrespiratória sofrida em maio de 2018, a menina acumulou longos períodos de internação devido a infecções pulmonares, o que acabou resultando no diagnóstico de paralisia cerebral do tipo diparesia espástica.
“Foi muito desafiador. Para o meu esposo, desesperador. Como eu não tive sintomas, quando a notícia veio, veio também uma adrenalina muito grande. Fui ter noção de tudo o que aconteceu depois do parto. Porém, em todo momento sentia a presença do Senhor cuidando de nós, então, mesmo no caos, pude sentir paz”, relembra Vanessa Cruz Grande Rodrigues, mãe da criança.
Apesar das limitações motoras e da necessidade de realizar oito terapias semanais, Bella mantém uma personalidade comunicativa e alegre. “A Bella é uma criança muito comunicativa, doce e carinhosa. Ela ama brincar, ir a parques de diversões, parques aquáticos e gosta até dos brinquedos radicais”, relata a mãe.
Impasse no sistema de saúde e busca por recursos Diante da urgência imposta pelo crescimento da filha, a família descartou o atendimento na rede pública devido aos longos prazos de espera e à falta de suporte para a reabilitação intensiva pós-operatória. Na rede privada, os pais relatam ter enfrentado falhas na avaliação técnica e ausência de cobertura integral para o tratamento posterior ao procedimento.
“Compreendemos que teríamos que lutar de outra forma, pois não podemos esperar muito. Cada dia conta e ela vai passar por mais um pico de crescimento em breve. Além disso, no SUS não há o acompanhamento de reabilitação intensiva pós-cirúrgica, que é indispensável. Pelo convênio, não tivemos uma avaliação médica adequada e nem a garantia da reabilitação. Tudo isso nos deu força para buscar um médico especialista por fora”, pontua Vanessa.
Para viabilizar a viagem, a equipe médica, os custos hospitalares e um mês inteiro de reabilitação intensiva na capital piauiense, os familiares lançaram a campanha solidária “Pela cirurgia da Bella”, que busca alcançar a meta de R$ 200 mil para garantir mais qualidade de vida e autonomia à garota.






