Consumidores que notaram alguma alteração no café coado do dia a dia não estão imaginando coisas. A indústria de alimentos alterou de forma sutil a composição dos tradicionais e extrafortes vendidos nos supermercados brasileiros, embora a alteração no sabor final seja quase imperceptível ao paladar.
A mistura dos grãos
As categorias mais populares da bebida são fabricadas a partir de um blend, que combina dois tipos principais de matéria-prima. O primeiro é o arábica, amplamente preferido pela população nacional por entregar um perfil mais aromático. O segundo é o conilon, reconhecido por conferir maior corpo à bebida e apresentar concentração elevada de cafeína.
Mudança de proporção no mercado
Historicamente, o arábica liderava com folga a participação nas embalagens distribuídas nacionalmente. No entanto, o cenário se transformou recentemente com o avanço do conilon na receita. Segundo Eric Emiliano, sócio da L.E.K Consulting, essa dinâmica de mercado sofreu reviravoltas expressivas.
O encarecimento do arábica para o setor industrial motivou a substituição gradual. Trata-se de uma planta agrícola altamente vulnerável às instabilidades meteorológicas, sofrendo perdas severas e impactos negativos provocados por períodos de forte calor, geadas intensas e volumes de chuva inadequados para o ciclo de desenvolvimento.
Em contrapartida, o conilon demonstra maior resiliência frente aos eventos climáticos extremos. Essa característica agronómica garantiu vantagens competitivas, tornando o cultivo mais vantajoso financeiramente para os agricultores e viabilizando a adaptação das marcas comerciais diante da pressão inflacionária dos insumos.






