Home / Brasil / Queimadas caem 74% em áreas protegidas do Amazonas em 2026

Queimadas caem 74% em áreas protegidas do Amazonas em 2026

Incêndios recuam em áreas protegidas no Amazonas, mas Unidades de Conservação estaduais exigem alerta

O monitoramento ambiental no Amazonas registrou uma queda expressiva no número de focos de calor em áreas protegidas entre janeiro e meados de outubro de 2026. O total de ocorrências nessas regiões caiu de 499 para 128 na comparação com o mesmo período de 2025, o que representa um recuo geral de 74,3%.

Alerta nas Unidades de Conservação estaduais

Embora o cenário nas Terras Indígenas e reservas federais seja de melhora acentuada, as Unidades de Conservação (UCs) sob gestão estadual ainda preocupam as autoridades ambientais. De acordo com dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as áreas administradas pelo governo estadual somam mais de 70% de todos os focos mapeados neste ano. Entre janeiro e outubro de 2026, foram 51 registros, contra 110 no ano anterior, uma diminuição de 53,6%.

A Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Direita do Rio Negro (Setor Paduari-Solimões) lidera o ranking estadual com 19 focos, seguida pela APA Nhamundá, que contabilizou 17 ocorrências.

A importância estratégica da preservação

A preservação dessas áreas é considerada vital para o equilíbrio do clima e para a economia local. Jakeline Pereira, diretora do Programa de Áreas Protegidas do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), destaca o valor desses ecossistemas:

“Além de abrigar espécies únicas da fauna e da flora, as áreas protegidas são fundamentais para o equilíbrio climático e para o fornecimento de produtos florestais madeireiros à indústria, bem como de produtos não madeireiros, como a castanha, que sustentam populações locais. Sua preservação é essencial em escala global”.

Desafios para comunidades tradicionais

Além da proteção ambiental, o debate envolve a garantia de direitos para os moradores das reservas. Segundo Antônio Norte, doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, a segurança jurídica é um entrave central:

“As Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Extrativistas foram criadas justamente para conciliar conservação ambiental e permanência das populações tradicionais, mas ainda existem dificuldades relacionadas à regularização fundiária e à formalização dos direitos dessas comunidades”.

Terras Indígenas e áreas federais

Os territórios indígenas apresentaram uma retração de 71% nas queimadas, caindo de 245 para 71 focos. A maior pressão atual está na TI Andirá-Marau, com 18 registros. Já as UCs federais tiveram o desempenho mais positivo, com apenas 6 focos mapeados em 2026, frente aos 144 registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar dos números positivos, especialistas alertam que a fiscalização e a logística continuam sendo os maiores desafios para o estado. Sobre a disparidade entre a lei e a realidade, Antônio Norte observa:

“Existe uma diferença significativa entre a proteção prevista na legislação e a capacidade operacional do Estado para monitorar territórios tão extensos e de difícil acesso. O desafio envolve recursos humanos, logística, tecnologia, orçamento e presença institucional permanente”.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *