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Banda paraense revive a lambada e lança primeiro álbum de estúdio

Do Pará para o Brasil: Lambada Social Club grava álbum no Nordeste e prepara turnê no Sudeste

O ritmo que conquistou o Brasil nos anos 1980 e marcou a identidade cultural das regiões Norte e Nordeste ganha novo fôlego com a atuação da banda Lambada Social Club, originária de Belém do Pará.

Nova fase e gravação no Nordeste

Após cumprir agenda de shows por estados nordestinos, o grupo finalizou a produção de seu primeiro álbum de estúdio, intitulado Risca o Salão. O material já está acessível nas principais plataformas digitais de áudio, marcando um momento decisivo para a trajetória dos artistas paraenses.

O processo de registro das faixas ocorreu ao longo de quatro dias no estúdio DoSol, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte. A imersão aconteceu durante uma residência artística viabilizada pelo Festival do Sol. Para os integrantes, o intercâmbio com produtores locais injetou vitalidade em uma sonoridade que mistura guitarrada, brega e vertentes caribenhas.

“Gravar no DoSol foi muito importante justamente por trazer uma essência e percepção musical diferente da que estamos acostumados aqui em Belém. As diferenças culturais são essenciais para o crescimento do trabalho e contribuem para a possibilidade de chegar a públicos diferentes”, explicou Eduardo Barbosa, guitarrista e compositor.

Conexão histórica e expansão para o Sudeste

A escolha pelo território nordestino para a gravação e para uma série de seis apresentações — que passou por Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, incluindo o Festival Pôr do Som — faz referência direta à trajetória do gênero. Há quatro décadas, a lambada migrou do Pará para o Nordeste, onde se transformou em uma febre nacional.

“Ir ao Nordeste nos reconectou com um público que também consome lambada, já que o gênero fez grande sucesso na região durante os anos 80. É um salto importante para o nosso trabalho”, destacou Eduardo.

Diante do arrefecimento comercial sofrido pelo estilo musical na década de 1990, a banda assumiu a responsabilidade de recolocar o ritmo em evidência, tratando-o tanto como patrimônio quanto como um produto mercadológico viável.

“Estamos focados em reestabelecer a lambada enquanto um movimento cultural em Belém do Pará e desenvolvê-la também enquanto mercado. O lançamento desse trabalho é uma tentativa de trazer a lambada para a discussão novamente, como um gênero musical com força e apelo comercial”, pontuou o músico.

Com o disco concluído, o grupo planeja cruzar o país para realizar exibições de divulgação no Rio de Janeiro e em São Paulo no final de 2026, criando novas pontes no mercado sudeste.

Fomento à cultura de rua em Belém

Fundado em março de 2023, o Lambada Social Club consolidou-se como um dos principais expoentes da renovada cena musical paraense. O currículo da formação inclui passagens por palcos de destaque, a exemplo do Festival Psica, Boulevarte, Jambu Live e do Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. Em 2024, além de divulgarem o single de estreia “Égua do Calor!”, os artistas receberam a Medalha do Mérito Cultural e Patrimônio concedida pela Câmara Municipal de Belém.

Além da produção autoral, o coletivo movimenta a capital paraense por meio de iniciativas públicas e gratuitas:

  • Roda de Lambada: Encontro mensal que começou na Praça do Carmo e migrou para o Boulevard da Gastronomia em 2024, democratizando o acesso à música autoral com discotecagem e convidados especiais, incluindo lendas como os Mestres da Guitarrada Solano e Curica.
  • Noites de Lambada: Celebração dedicada a preservar os tradicionais bailes periféricos de lambada e merengue em Belém, contando inclusive com disputas mensais de dança.

No horizonte de 2026, a banda ampliou o impacto de suas ações culturais ao promover o 1° Festival Roda de Lambada – Música do Povo, Música para Todos. Realizado no Complexo Porto Futuro com acesso livre, o evento de três dias uniu expoentes da música nortista como a banda Warilou, Mestre Solano, Mestre Manoel Cordeiro, Ver-o-Brass, Clube da Guitarrada e Layse e Os Sinceros, reforçando o status de Belém como o polo central do ressurgimento da lambada.

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