A dez dias do pleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma entrevista à TV Globo nesta quinta-feira, 15, na qual defendeu medidas que constam no programa de governo de seu principal adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro. Entre os tópicos abordados estiveram a segurança pública, com foco na redução da maioridade penal e no endurecimento do sistema carcerário, além de pautas econômicas e diretrizes para a política externa.
Segurança pública e maioridade penal Durante a sabatina, o candidato à reeleição respondeu a questionamentos da jornalista Renata Lo Prete sobre a mudança na legislação penal para crimes hediondos. Sobre o tema, Lula declarou: “Sou favorável a reduzir pra 16, mas não discutindo nessa PEC”. O presidente pontuou que o debate ocorre no âmbito da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública que tramita no Congresso e acrescentou: “Essa PEC não é pra discutir isso”.
O plano do opositor Flávio propõe baixar a maioridade penal de 18 para 16 anos para qualquer tipo de infração, estabelecendo punições desde os 14 anos em casos graves como homicídio, estupro, tráfico de entorpecentes e tortura. A ideia do adversário é mais ampla que a emenda sugerida pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana, que limita a alteração aos crimes hediondos.
Sistema prisional e combate ao crime organizado No setor penitenciário, o chefe do Executivo revelou a meta de financiar 138 estabelecimentos penais no país, abrangendo unidades de segurança máxima para isolar líderes de facções criminosas. Em contrapartida, a plataforma de Flávio contempla a construção de cinco novos presídios federais e a abertura de meio milhão de vagas prisionais ao longo de quatro anos.
O combate às organizações criminosas e a retomada de áreas dominadas por traficantes também entraram na pauta, convergindo com as diretrizes do plano rival. “Queremos asfixiar o crime organizado e libertar os territórios para que o povo não esteja vítima de dono de rua, de pessoas que interferem na compra de gás, que interferem no recebimento do Bolsa Família”, afirmou.
Propostas para a economia e o Judiciário No campo econômico, o petista destacou o programa Desenrola 3.0, voltado à repactuação de débitos mediante a compra governamental de dívidas com abatimentos bancários. O chefe de Estado também indicou a possibilidade de anistiar obrigações financeiras de microempreendedores individuais e injetar capital para recomeços. “Vamos disponibilizar uma espécie de crédito e o aval de R$ 5 mil para essas pessoas que zeraram as suas dívidas começarem uma vida nova”, declarou.
Ademais, o petista comentou sobre a necessidade de reformular o Judiciário, avaliando o mandato e os critérios de escolha para ministros do Supremo Tribunal Federal, pauta que também possui equivalentes no programa do oponente do PL. No mercado de trabalho e infraestrutura, foram citadas a revisão da escala 6×1, a gratuidade no transporte aos finais de semana, aportes em data centers e a expansão do mercado livre de energia.
Relações internacionais e acordos comerciais No cenário diplomático, o atual mandatário expressou otimismo quanto à possibilidade de firmar entendimentos com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, apesar de atritos recentes motivados por tarifas e sanções. “Acho que vamos chegar no acordo”, afirmou, mencionando diálogos prévios com o líder norte-americano. Enquanto isso, o candidato Flávio aposta em estreitar os laços com Washington, visando reatar acordos comerciais e formar uma aliança conservadora no continente americano.






