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Justiça converte em preventiva prisão de médico e estudante no Tocantins

Prisão de médico e estudante suspeitos de atirar contra casa de professora é convertida em preventiva

A Justiça do Tocantins determinou nesta quinta-feira (15) a conversão da prisão em flagrante para preventiva do médico José Aristides Campelo Cabral e de seu irmão, o estudante de medicina Pedro Campelo Cabral. Os dois são apontados como autores de mais de 20 disparos de arma de fogo contra o imóvel e a clínica de uma professora universitária situada em Gurupi, município localizado na região sul do estado.

Investigação policial e detalhes do ataque

O atentado ocorreu na madrugada do dia 14. Imagens obtidas mostram uma caminhonete branca passando diante do endereço da docente no momento em que os tiros são efetuados. De acordo com o boletim de ocorrência, os filhos da vítima estavam no interior da residência durante a ação criminosa, mas nenhum deles sofreu ferimentos.

Os irmãos foram capturados na mesma noite dos fatos, e a apuração está sob a responsabilidade da 3ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi. O caso foi inicialmente catalogado como tentativa de homicídio, além de abranger apurações por disparo de arma de fogo em via pública, dano qualificado, porte ilegal de armamento e resistência à prisão.

Busca, abordagem e justificativas dos suspeitos

Após levantamentos na cena do crime, as equipes policiais iniciaram diligências para localizar os veículos suspeitos. Um dos automóveis foi achado nas proximidades de uma casa noturna da cidade, onde os dois homens consumiam bebidas alcoólicas. Segundo o registro policial, houve resistência no momento da abordagem, sendo necessário o emprego de força física pelos agentes.

Em depoimento, os suspeitos negaram qualquer participação no atentado, embora funcionários do estabelecimento tenham relatado que ambos chegaram ao local pouco antes da intervenção policial. Durante a vistoria no carro, os militares encontraram uma pistola calibre 9 mm com documentação regular. Um dos investigados apresentou os papéis do armamento, enquanto o outro declarou ser Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), informando que suas armas anteriores haviam sido apreendidas em decorrência de uma ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha.

Conforme o boletim de ocorrência, os irmãos admitiram aos policiais que estiveram na residência da professora durante a madrugada, argumentando que pretendiam convidar os filhos dela para um passeio de bicicleta, justificativa contestada pelos moradores. Em razão do episódio, a docente solicitou uma medida protetiva de urgência contra os dois.

Motivação e posicionamento das instituições

A linha principal de investigação da Polícia Civil aponta que a motivação do crime estaria ligada a desentendimentos acadêmicos na Universidade de Gurupi (UnirG). O estudante Pedro Cabral teria sido reprovado em disciplinas ministradas pela vítima e enfrentava o risco de nova reprovação no semestre vigente.

A defesa dos investigados foi procurada para comentar o caso, mas não houve retorno até o fechamento da apuração. Enquanto isso, entidades de classe e a instituição de ensino se manifestaram publicamente sobre o episódio.

Em nota oficial, o Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) declarou: “O Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) manifesta preocupação diante dos fatos ocorridos em Gurupi, envolvendo uma médica e seus familiares, especialmente diante das informações sobre o possível envolvimento de um médico e de um estudante de Medicina na prática do suposto crime.” “O Conselho acompanha a situação com atenção e adotará as medidas cabíveis no âmbito de suas atribuições legais e éticas, inclusive junto aos órgãos competentes, para que os fatos sejam devidamente apurados.” “O CRM-TO reafirma seu compromisso com a ética médica, a responsabilidade profissional e o respeito à sociedade, destacando que situações dessa natureza exigem apuração rigorosa e providências adequadas.” Conselho Regional de Medicina do Tocantins

Por sua vez, a Universidade de Gurupi também emitiu posicionamento por meio de nota: “Diante dos fatos ocorridos na madrugada desta quarta-feira (14/10), a Fundação UnirG e a Universidade de Gurupi – UnirG manifestam seu veemente repúdio a qualquer forma de violência, ameaça ou intimidação contra docentes, servidores e demais membros de sua comunidade acadêmica.” “A Presidência da Fundação UnirG e a Reitoria expressam sua solidariedade à professora atingida, do Curso de Medicina e a seus familiares, a quem a Instituição presta todo o apoio necessário. A violência é absolutamente incompatível com os valores que orientam a vida universitária, e nenhuma forma de intimidação será tolerada.” “Diante da gravidade dos fatos, a UnirG adotou de imediato as medidas administrativas cabíveis para sua apuração, com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, e colabora com as autoridades responsáveis pela investigação. Por meio dos setores competentes, a Instituição também promove medidas de acolhimento e suporte à docente.” “A UnirG mantém sistema de monitoramento eficiente e vigilantes experientes em todos os seus prédios, atentos a qualquer situação suspeita, de modo a garantir a proteção de estudantes, professores e servidores em suas atividades diárias.” “A Instituição reafirma seu compromisso com a segurança, a ética e o respeito em toda a comunidade acadêmica.”

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