O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, alegou sofrer perseguição política durante uma conversa mantida entre ambos. A revelação foi feita pelo mandatário em entrevista concedida à jornalista Renata Lo Prete, no programa Jornal Nacional, exibido pela TV Globo.
Encontros no Palácio do Planalto e em Minas Gerais
A reunião principal ocorreu no dia 4 de dezembro no Palácio do Planalto. O acerto do encontro passou por uma audiência formal agendada inicialmente com o então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Participaram da conversa Guido Mantega, ex-ministro do Planejamento e Orçamento; Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia; Augusto Lima, que atuava como CEO do Banco Master; Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil; e Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, que na época ocupava o cargo de diretor de política monetária da autarquia.
Além desse compromisso oficial, Lula esteve reunido com o banqueiro ao menos uma vez em Minas Gerais, estado natal de Vorcaro, em um momento em que o mercado já circulava rumores sobre a estabilidade da instituição financeira. Durante os diálogos, o empresário abordou temas como a concentração do setor bancário e a postura dos grandes bancos. O presidente ponderou que o assunto competia à autoridade monetária e recomendou que o executivo buscasse tratamento estritamente técnico junto ao Banco Central, além de aconselhá-lo a não vender o Master ao BTG.
Liquidação e repercussão política
Questionado sobre as alegações do banqueiro, o petista afirmou que rebateu as acusações no mesmo instante. “Ele foi me procurar, como todos que estão com problema vão me procurar. O que você acha que o Silvio Santos fez quando o Banco Panamericano deu problema? Foi me procurar. O que você acha que o Banco Santos fez? Foi me procurar. O banco da igreja do Edir Macedo? Foi me procurar. Todos vão me procurar”, declarou o chefe de Estado, acrescentando que pontuou a inexistência de perseguição e que “e 1 mês depois o banco fechou porque ele estava errado”.
O Banco Central acabou determinando a liquidação do Master em novembro de 2025, apontando uma fraude de R$ 12 bilhões, após rejeitar uma tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília) sob a gestão de Galípolo. O posicionamento público do presidente sobre o episódio só começou a ocorrer em janeiro de 2026. Em evento realizado em Maceió (AL) naquele mês, ele afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro e reforçou que o governo não interfere nas decisões do Banco Central.
Campanha eleitoral e cenário nas pesquisas
O tema ganhou forte apelo na disputa eleitoral. A campanha petista pela reeleição passou a explorar ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro. O programa de TV do segundo turno alega que o adversário “não entrega nem os comprovantes” referentes a repasses financeiros que terções sido negociados no início de 2025, avaliados em US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), taxando o parlamentar como “amigo de bandido”.
Enquanto a corrida eleitoral se intensifica, levantamento do Datafolha divulgado no mesmo dia apontou empate técnico na disputa presidencial em votos válidos, com Flávio Bolsonaro registrando 51% e Lula marcando 49%.






