A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala 6×1 foi aprovada no Congresso nesta quarta-feira (14), impulsionada originalmente pelo desabafo de um balconista de farmácia nas redes sociais. A votação histórica representa a maior alteração nas leis do trabalho desde a Reforma Trabalhista de 2017.
A origem do movimento nas redes sociais
Em 2013, Rick Azevedo publicou um vídeo no TikTok questionando a exaustiva rotina de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. O conteúdo viralizou rapidamente e deu origem a um forte engajamento digital. ‘Estou querendo saber quando nós, da classe trabalhadora, iremos fazer uma revolução nesse país relacionada à escala 6×1?’, questionava o autor na gravação original.
A iniciativa chamou a atenção da deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e do governo federal, que abraçaram a pauta. Posteriormente, Rick Azevedo foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Para especialistas, o episódio exemplifica uma nova dinâmica de mobilização política que surge fora dos canais sindicais ou partidários tradicionais. “Essa é uma história interessante porque fala um pouco dessa nova política digital que a gente tá aprendendo a acompanhar”, afirmou o jornalista Bernardo Melo Franco.
Tramitação e regras da nova jornada
O texto legislativo que chegou à Câmara em 2025 uniu propostas anteriores de parlamentares e obteve ampla vantagem nas votações. A nova regra estabelece duas folgas remuneradas semanais — preferencialmente com um domingo incluído — e reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais, mantendo os salários integrais. As empresas terão um período de transição de 14 meses para se adequar.
No Senado, a votação sofreu atrasos devido ao calendário eleitoral e a estratégias da presidência da Casa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, argumentou que a medida trará alívio significativo para quem gasta horas no deslocamento diário e na rotina de emprego.
Repercussão e impactos econômicos
Pesquisas de opinião indicam que cerca de sete em cada dez brasileiros apoiam a mudança. Enquanto defensores apontam melhorias na qualidade de vida e tempo para a família, o setor empresarial manifesta preocupação com o encarecimento da mão de obra e possíveis impactos na produtividade, exigindo adaptações operacionais do comércio e da indústria.






