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Garoto baiano de 10 anos passa em engenharia mas não pode estudar

Baiano de 10 anos aprovado em 3º lugar em curso de engenharia não pôde cursar faculdade; entenda regras

Um estudante de apenas 10 anos de idade surpreendeu ao conquistar a terceira colocação no processo seletivo para o curso de engenharia mecânica na Universidade de Fortaleza (Unifor). Natural da Bahia, Marcelo Gomes Viana Lopes, conhecido carinhosamente como Marcelinho, obteve excelente desempenho na avaliação, mas foi impedido de efetivar sua matrícula na instituição de ensino superior.

O entrave da legislação educacional

O impedimento para que o garoto assuma a vaga universitária baseia-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). No país, a normativa estabelece que o ingresso no ensino superior só é permitido após a conclusão oficial do ensino médio.

Atualmente cursando o 7º ano fundamental no Colégio Farias Brito, para onde se mudou com a família após conquistar uma bolsa integral em Fortaleza, o menino prestou o vestibular apenas por curiosidade. A intenção inicial era testar seus conhecimentos e vivenciar o clima de uma prova disputada contra candidatos mais velhos.

Reação da família e rotina de estudos

A mãe do estudante, a advogada Tatiana Gomes, apoiou a inscrição no processo seletivo, mas confessou que não esperava um resultado tão expressivo devido à diferença de idade entre os concorrentes.

"Eu não achei que ele fosse passar, porque sabia que iria concorrer com pessoas bem mais velhas. Quando vi o resultado, senti um orgulho inenarrável", contou a mãe.

Além do desempenho acadêmico incomum para sua idade, o garoto acumula medalhas em competições científicas, integra o programa de caça a asteroides da Nasa e participa de oficinas de foguetes. Segundo ele, as experiências foram fundamentais para o sucesso no vestibular: "As olimpíadas me ajudaram a fazer prova sob pressão, porque tem o cronômetro, são muitas questões. Isso me ajudou no vestibular", relatou.

Caminhos legais e infância preservada

No Brasil, estudantes que cursam o último ano do ensino médio e são aprovados em vestibulares recorrem frequentemente à Justiça para tentar garantir a vaga antecipadamente. Contudo, para quem está anos distante da conclusão básica, as alternativas legais envolvem exames supletivos ou certificações específicas aplicadas para maiores de idade, regras que ainda não se aplicam ao seu estágio escolar atual.

Apesar da alta carga de estudos e do feito histórico na universidade, a rotina do jovem mantém características comuns à sua faixa etária, incluindo aulas de natação, momentos de lazer com a cachorrinha da família e partidas de RPG com os amigos.

"Eu ainda tenho uma infância, sou uma criança normal, mesmo gostando de estudar e passando no vestibular. Isso não anula minha infância", afirmou o menino.

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