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Ovelhas usam máscaras em pomares para revolucionar a pecuária e fruticultura no RS

Saiba por que ovelhas estão usando máscaras em pomar de pêssegos no RS

Pesquisadores da Serra gaúcha adotaram uma estratégia inusitada para unir a criação de ovinos e a fruticultura na mesma área: o uso de máscaras especiais em ovelhas que pastam em pomares de pêssegos.

Como funciona a tecnologia das máscaras

O experimento inovador ocorre em uma área da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e tem como objetivo principal impedir que os animais alcancem as folhas e os frutos das árvores, sem prejudicar o acesso ao pasto rasteiro. O segredo está na mecânica do equipamento: quando a ovelha abaixa a cabeça, ela consegue se alimentar normalmente da grama. No entanto, ao levantar a cabeça na direção da vegetação arbórea, a máscara se desloca e bloqueia o acesso às plantas.

Viabilidade para pequenas propriedades

Coordenador da Área Experimental e Fazenda Escola, Gabriel Pauletti aponta que a iniciativa é extremamente promissora para locais com predomínio de minifúndios e forte tradição na produção de frutas.

“É possível, então, compatibilizar a produção de ovinos com a fruticultura, desde que se garanta que o animal não vai prejudicar as plantas”, explica.

Adaptação tranquila dos animais

Antes de analisar os impactos nas fruteiras, a equipe acadêmica monitorou atentamente a aceitação do acessório pelo rebanho. Conforme relatou a professora Marcele Vilanova, havia um temor inicial quanto ao estresse ou incômodo que o objeto estranho pudesse causar.

Para a surpresa dos especialistas, os animais aceitaram o equipamento de forma muito natural na rotina de pastoreio.

“Elas se comportaram super bem, se adaptaram”, relata. “Baixavam a cabeça, davam uma levantadinha na máscara e já seguiam pastando. Então foi super fácil a adaptação”.

Impactos no solo e nova fonte de renda

Iniciados há mais de doze meses, os testes entraram em uma nova fase para mensurar os reflexos exatos da presença ovina no pomar, avaliando indicadores cruciais como a fertilidade e a compactação do solo. Se validada em larga escala, a técnica promete transformar a realidade de agricultores familiares ao viabilizar o aproveitamento duplo do mesmo terreno.

Além de colher frutas, o produtor passa a contar com uma alternativa ágil de faturamento por meio da pecuária, diversificando os ganhos econômicos na propriedade.

“São animais de ciclo rápido, em quatro meses já se pode ter comercialização de cordeiros, incrementando a renda do produtor na mesma área de produção”, destaca Pauletti.

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