A Justiça paulista determinou a extensão por mais 30 dias da prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital, e dos demais alvos da Operação Vectura Corrupta. Conforme aponta a Polícia Civil, a investigação se aprofunda sobre a suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público da cidade.
Detalhes da investigação e alvos
O ex-parlamentar está detido em uma unidade prisional localizada em Mogi das Cruzes desde o dia 18 de setembro, data em que se apresentou à delegacia após ser considerado foragido. De acordo com as autoridades policiais, ele exerceria comando direto sobre a operação de companhias que estariam sob o domínio da facção, além de figurar como o verdadeiro proprietário da Transwolff.
A lista de investigados no âmbito da operação policial também engloba figuras conhecidas da política estadual, a exemplo de Levi dos Santos Oliveira, que comandou a SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à prefeitura de Praia Grande.
Invasão a escritório e furto de HD
Enquanto o inquérito avança, o escritório do ex-vereador, situado no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul paulistana, foi alvo de criminosos. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os suspeitos fugiram do local após subtraírem um disco rígido com gravações do sistema interno.
Apesar de levarem o HD, os invasores deixaram para trás uma quantia superior a R$ 19 mil em espécie. Durante a vistoria no imóvel, os agentes policiais localizaram documentos revirados, talões bancários, cartões, um Bilhete Único e até mesmo uma carteirinha de filiação partidária.
A Secretaria da Segurança Pública se manifestou por meio de nota oficial sobre o episódio: “Cartões bancários, documentos e uma quantia em dinheiro foram apreendidos. A perícia foi acionada e diligências prosseguem para identificar os responsáveis. O caso foi registrado no 11º DP (Santo Amaro) como furto a residência e localização/apreensão de objetos”, disse a pasta.
Defesa e desdobramentos jurídicos
O político acabou não passando pela audiência de custódia programada porque alegou mal-estar na carceragem, solicitando transferência hospitalar momentos antes do procedimento judicial.
A ação policial que deu origem às prisões foi deflagrada para cumprir dezenas de mandados em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. O foco recai sobre frentes de atuação que envolvem empresas de ônibus, licitações, esquemas políticos e financiamento de campanhas, incluindo a atuação da chamada “Sintonia dos Gravatas”.
Ao deixar a delegacia rumo ao Instituto Médico Legal, o investigado negou qualquer irregularidade: “Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, afirmou.
Ao ser questionado sobre eventuais arrependimentos, complementou: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo.”
Em manifestação nas redes sociais, Alexandre Leite, filho do ex-vereador, também comentou a situação do pai: “Consideramos essa medida extremamente injusta, mas cabe aos advogados fazer a defesa jurídica. Vejo como uma boa oportunidade de passar essa história a limpo e colocar um ponto final, para que ela não seja reverberada a cada dois anos ou a cada período eleitoral”.






