Quase três em cada dez estudantes avaliados em instituições de ensino brasileiras apresentam pressão alta, uma condição historicamente ligada aos adultos. O dado inédito integra o projeto Brasil Coração Saudável, que examinou a saúde de mais de 6 mil alunos em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Impacto do excesso de peso na pressão arterial Os registros indicam que 28,3% dos menores de idade analisados foram diagnosticados com hipertensão, enquanto 11,6% se encontram na faixa de pré-hipertensão. Esse cenário de alterações cardiovasculares caminha lado a lado com o sobrepeso e a obesidade, detectados em cerca de um terço dos alunos.
Entre os jovens de 7 a 18 anos que lidam com a obesidade, 48,4% manifestaram pressão alta, um índice duas vezes maior que o observado naqueles com peso ideal, que registrou 22,6%. O abismo entre os grupos fica ainda mais evidente na faixa etária de 15 a 18 anos, onde 60,5% dos obesos possuem o problema.
Hábitos de vida e rotina digital O levantamento também detalhou o comportamento diário dos estudantes fora da sala de aula: 33,1% manifestaram excesso de peso, divididos entre 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade, englobando quadros graves. 59% dedicavam ao menos três horas diárias ao uso de eletrônicos fora do horário escolar. 66,1% dos alunos que praticavam exercícios na escola cumpriam apenas de uma a duas horas por semana. 17,4% demonstraram relação cintura/altura superior a 0,5, sinalizando adiposidade central acentuada. Cerca de um em cada oito participantes apontou vivenciar estresse severo tanto no lar quanto na escola.
A primeira fase do estudo reuniu 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas, cujos exames ocorreram entre junho e outubro de 2026. A maior parcela dos voluntários veio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, com uma participação menor de São Paulo. Os organizadores ressaltam que o estudo tem caráter descritivo e não serve como um diagnóstico clínico definitivo.
Diferenças por gênero e faixa etária A incidência de hipertensão variou consideravelmente entre sexos e idades. Nos rapazes de 15 a 18 anos, a taxa atingiu 40,7%, a maior de toda a pesquisa. No grupo feminino da mesma idade, o índice foi de 28,6%. Já entre os meninos com menos de 7 anos, 39,1% apresentaram o quadro, contra 30,2% das meninas da mesma idade.
As médias da pressão sistólica, conhecida como máxima, subiram de forma contínua conforme o avanço da idade. Nos garotos, a média passou de 103,5 mmHg na primeira infância escolar para 121,8 mmHg na adolescência tardia. Entre as alunas, o salto foi de 103,6 mmHg para 112,6 mmHg.
Adiposidade e saúde mental A gordura acumulada no abdômen também demonstrou forte correlação com o problema. Alunos com relação cintura/estatura acima de 0,5 registraram 40,6% de incidência de hipertensão. Além disso, o estresse emocional marcou presença: 12,7% relataram pressão psicológica intensa em casa e 12,5% no ambiente escolar.
Por fim, o levantamento avaliou a saúde espiritual e emocional dos estudantes por meio do instrumento PRIMA. Embora a grande maioria tenha demonstrado altos índices de gratidão e altruísmo, mais da metade dos participantes concordou com declarações ligadas ao ressentimento por ofensas passadas.






