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Brasil entrega na COP31 plano de US$ 1,3 tri que propõe taxar bilionários

Brasil leva à COP31 plano de US$ 1,3 tri que prevê taxar bilionários

A presidência da COP30 divulgou um ambicioso projeto para injetar US$ 1,3 trilhão anualmente em nações em desenvolvimento até o ano de 2035. O texto, que será levado para a COP31, aposta na criação de um imposto mínimo de 2% sobre as grandes fortunas de bilionários e na forte participação de capitais privados para cobrir dois terços dessa quantia.

Entenda o rombo no financiamento verde O estudo aponta que a meta é perfeitamente viável, mas o modelo atual deixaria o fluxo estacionado em US$ 461 bilhões por ano, gerando um déficit de aproximadamente US$ 840 bilhões. Para fechar essa conta diante da retração nos repasses de nações ricas, o documento sugere novas taxações internacionais e um incremento nos empréstimos concedidos por bancos multilaterais.

O relatório “Implementando o Roteiro de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão” representa o terceiro e último entregue pelo país ao encerrar seu ciclo à frente da conferência, com o comando sendo transferido para a Turquia. Os materiais anteriores focaram na transição energética para longe dos combustíveis fósseis e no combate implacável ao desmatamento.

Conforme explicou o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, o conteúdo foi desenhado para consolidar acordos pregressos e não precisará retornar à mesa de negociações na Turquia. “Nada do relatório precisa ser levado à COP31”, declarou a jornalistas.

Como o montante será dividido Caso as diretrizes sejam integralmente adotadas, os recursos anuais em 2035 oscilarão entre US$ 1,27 trilhão e US$ 1,41 trilhão. A composição financeira divide-se em fundos públicos estatais, investimentos corporativos e mercados de carbono, sendo que o setor privado saltará exponencialmente com o apoio de instituições multilaterais.

Contudo, parte expressiva da verba pública corresponde a empréstimos onerosos e não a doações diretas dos países desenvolvidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente essa prática durante a abertura do evento: “financiamento reverso”.

Corroborando a visão estratégica, a CEO do evento, Ana Toni, ponderou que o dinheiro governamental precisa subir, mas que o montante isolado é insuficiente. No mesmo sentido, o diplomata e coordenador Luiz Andrade destacou que a distância entre a inércia e a execução é mais ampla na iniciativa privada.

Desafios políticos e novas taxas globais A arrecadação não passará por um fundo centralizado, ficando sob a responsabilidade de cada governo aplicar suas próprias leis de tributação e destinar uma fatia ao exterior. O plano avalia seis frentes distintas, mas esbarra na queda drástica dos aportes da OCDE e no retrocesso de signatários históricos do Acordo de Paris.

Para contornar o cenário de desconfiança mútua, a estratégia aposta em tributos sobre criptoativos, aviação, transações financeiras e combustíveis fósseis.

O obstáculo principal é puramente político e exige forte articulação internacional. O documento será formalmente apresentado no dia 13 de novembro na COP31, em Antália, exigindo intensa pressão diplomática para evitar que a inércia climática continue onerando as nações mais vulneráveis do planeta.

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