O município de Oiapoque, localizado no estado do Amapá, tem despertado forte interesse empresarial e turístico devido às expectativas geradas pela exploração de petróleo na Margem Equatorial. No entanto, existem companhias na região que operam muito antes de o setor petrolífero ganhar os holofotes atuais.
Quatro décadas de atuação na navegação e extração
A Lunay Empreendimentos está presente no município há 40 anos. A empresa opera no setor de navegação, prestando serviços tanto em mar aberto quanto em águas interiores. Além disso, realiza a extração de areia e seixo do rio Oiapoque, materiais comercializados para o mercado local com foco na construção civil, como na fabricação de artefatos de concreto.
A companhia também gerencia uma área portuária própria e executa serviços voltados para sondagem, docagem e o resgate de embarcações.
“Também estamos desenvolvendo um projeto com o Sebrae para um produto que é uma espécie de argamassa para que as pessoas façam pequenos rebocos, reparos na sua própria casa”, disse Luiz Ataíde, proprietário da Lunay Empreendimentos, em entrevista ao Poder360.
Parceria estratégica com a Petrobras
Há cerca de dois anos, a empresa presta serviços para a Mineral, uma terceirizada da Petrobras que utiliza a infraestrutura portuária da Lunay para abrigar áreas flutuantes.
“Nós recebemos as embarcações deles em áreas de atracação. São 3 embarcações de porte grande e 4 voadeiras de resgate de animais. Além da parte de porto, também alugamos duas áreas de hangar para que eles guardem materiais de grande porte. E alugamos também um escritório com a parte de radiofonia. Nós temos uma antena de comunicação para embarcações”, afirmou Luiz Ataíde.
Expectativas e planos para o futuro
O empresário demonstra otimismo com o início iminente da produção comercial de petróleo na área. A estratégia da companhia envolve ampliar os serviços de navegação e estudar a construção de novos hangares, um hotel ou até mesmo um heliporto.
“Quando a plataforma se instalar teremos um mundo muito grande de oportunidades. Vou ter que investir bastante na área de soldadores, por exemplo. E nós confiamos muito no sistema S porque o sistema S pode nos proporcionar melhor treinamento de pessoal. É importante treinarmos o pessoal que está aqui para não precisarmos depender de pessoas de Macapá ou de Belém”, afirmou Luiz Ataíde.
Contexto da Margem Equatorial
As expectativas econômicas ganharam força após a confirmação, em agosto de 2026, da descoberta de petróleo pela Petrobras no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa amapaense. A área faz parte da Margem Equatorial, uma fronteira exploratória que se estende do Amapá até o Rio Grande do Norte.
A região desperta grande interesse do mercado corporativo por exibir características geológicas similares às de áreas com grandes descobertas recentes nas costas do Suriname e da Guiana. A investida faz parte do plano da estatal de repor suas reservas energéticas para suprir a demanda nacional durante o processo de transição energética.






