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Exercícios além do mínimo reduzem até 30% os riscos cardíacos

Maior volume de exercícios diminui riscos cardíacos, diz estudo

Dedicarse a volumes maiores de exercícios físicos do que o patamar tradicionalmente recomendado pode ampliar de forma expressiva a proteção contra doenças cardiovasculares. Enquanto a rotina padrão de 150 minutos semanais de atividades moderadas garante uma queda de 8% a 9% nas chances de problemas no coração, práticas que chegam a 610 minutos semanais conseguem derrubar esse risco em até 30%, conforme levantamento divulgado na revista British Journal of Sports Medicine.

Metodologia e acompanhamento

O estudo monitorou mais de 17.000 voluntários inseridos no UK Biobank durante um período de quase oito anos. Os cientistas empregaram acelerômetros com o objetivo de registrar o movimento corporal e mediram o condicionamento cardiorrespiratório de cada indivíduo ao longo da investigação.

Ficou evidente na análise que indivíduos com maior aptidão física obtiveram vantagens semelhantes para o coração dedicando um tempo levemente inferior aos menos preparados. Essa condição traduz a eficiência do organismo em absorver oxigênio através do trabalho conjunto entre pulmões, músculos e sistema circulatório.

O papel da idade e do treinamento

“Essa aptidão pode melhorar em qualquer idade. Mesmo pessoas acima dos 60 ou 70 anos conseguem aumentar significativamente essa capacidade com treinamento regular e adaptado às suas condições de saúde”, afirma a cardiologista e médica do esporte Luciana Janot, do Einstein Hospital Israelita.

Para colocar as recomendações em prática, a orientação principal envolve fracionar os esforços ao longo dos dias e unir modalidades aeróbicas com o fortalecimento muscular ao menos duas vezes por semana.

“O 1º passo é sair do sedentarismo. Não é necessário começar correndo ou frequentando academia todos os dias. Caminhadas, bicicleta, dança, natação ou qualquer atividade que a pessoa goste já fazem diferença. O melhor exercício é aquele que a pessoa consegue manter por meses e anos”, diz Janot.

Diretrizes e limites para a saúde

Apesar dos novos dados sobre treinos estendidos, as diretrizes vigentes continuam válidas, servindo como ponto de partida essencial para quem deseja abandonar o sedentarismo e cuidar do sistema cardiovascular.

“É muito importante frisar que qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma. Os 150 minutos recomendados são um mínimo para se obter benefícios e não um limite máximo. Essa é a meta para quem hoje é sedentário e quer sair da inatividade física. Atingir esse nível já proporciona um ganho expressivo para a saúde”, afirma a médica.

A própria Organização Mundial da Saúde preconiza que adultos cumpram de 150 a 300 minutos semanais de intensidade moderada, a exemplo de caminhadas aceleradas, ou de 75 a 150 minutos em ritmo vigoroso, como corridas.

“No último documento da OMS, esse intervalo passou a ser de 150 a 300 minutos. Ou seja, para conquistar benefícios ainda maiores, o alcance de 300 minutos já é recomendado, principalmente quando falamos em prevenção do ganho de peso e combate à obesidade”, observa.

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