O produtor rural Ricardo Paulino decidiu investir em uma aposta inédita no Sítio Família Paulino, localizado em Jundiaí, interior de São Paulo, ao iniciar o plantio de cacau na propriedade tradicionalmente conhecida pelo turismo rural e café colonial.
Desenvolvimento do pomar e manejo técnico
Atualmente, a chácara abriga 600 mudas que já alcançaram um metro de altura após o primeiro ano de cultivo, superando os 30 centímetros iniciais. Como se trata de uma lavoura inédita na região, o ciclo completo exige paciência, sendo necessários aproximadamente três anos até a primeira colheita e o desenvolvimento total do pomar.
Clima e microclima de altitude
Para garantir a sanidade dos frutos, o agricultor adotou técnicas específicas de manejo. Como a cidade está situada em uma faixa tropical de altitude, caracterizada por temperaturas amenas e ventos constantes, o plantio foi posicionado estrategicamente próximo à mata nativa para formar uma barreira natural contra as rajadas.
De acordo com o agricultor, o microclima local pode render características sensoriais exclusivas: “Devido à nossa posição geográfica, ao nosso solo, a expectativa é que seja uma fruta de um sabor de polpa mais doce, consequentemente a amêndoa menos amarga”.
Produção antecipada de chocolate artesanal
Enquanto aguarda a maturação do pomar próprio, a família optou por adiantar os testes práticos utilizando amêndoas vindas de regiões paulistas tradicionais na cultura, como o Vale do Ribeira e São José do Rio Preto.
O trabalho na cozinha é totalmente familiar: o pai cuida da torra das amêndoas, enquanto a filha, a chocolatier Giovanna de Oliveira, assume o comando da produção do chocolate caseiro, que já conquistou os visitantes do café colonial do sítio.
Logística favorável e diversificação agrícola
A localização do município funciona como um diferencial logístico estratégico, situando-se perto de grandes centros consumidores e de indústrias de chocolates finos. Na propriedade, o cultivo do cacau, iniciado há menos de um ano, soma-se ao tradicional plantio de morangos mantido pela família há mais de 45 anos.
O plano definitivo dos produtores é fechar todas as etapas da cadeia produtiva no próprio local, realizando a colheita, a secagem, a torra e o processamento do fruto internamente. Quando a primeira safra regional estiver pronta, o objetivo de entregar um produto artesanal completo do pé à mesa estará concretizado.






