O papa Leão XIV concluiu o segundo dia de sua histórica passagem pela América do Sul com uma emocionante vigília noturna realizada no Estádio Centenário, localizado em Montevidéu. O evento reuniu milhares de fiéis em clima de intensa devoção.
A energia do público infantil pôde ser sentida desde cedo, refletida na simplicidade e no carinho com que a pequena Luzia resumiu a expectativa pelo encontro. “Quem você vai ver hoje, Luzia?”, perguntou o repórter. “O Papa Leão”, respondeu a menina. “Você gosta do Papa Leão?”, quis saber o jornalista. “Sim”, afirmou.
Sentimento de honra e relevância histórica O entusiasmo contagiou toda a população local, independentemente de credo, gerando um sentimento de orgulho por o país ter sido escolhido como a primeira parada sul-americana do pontífice.
“Para nós, católicos, é muito especial e histórico. A gente conseguiu chorar só com a presença dele”, conta o influencer Frederico Torres.
“É uma referência pros crentes e não crentes. É um momento histórico, estou muito feliz de estar aqui”, diz o advogado Felipe Piltcher.
Missa simbólica na fronteira e a tradição do mate Mesmo enfrentando ventos fortes e condições climáticas desfavoráveis, o Santo Padre manteve firme sua agenda e celebrou sua primeira missa em solo sul-americano no sábado (7). A cerimônia ocorreu em Paysandú, município fronteiriço banhado pelo Rio Uruguai, reunindo cidadãos uruguaios, argentinos e brasileiros, além de peregrinos gaúchos a cavalo vindos dos pampas.
Durante a homilia diante dos povos reunidos, o líder católico enfatizou a urgência de derrubar barreiras e promover o entendimento mútuo.
“Construir pontes, estreitar laços, unir, comunicar, transmitir a alegria da fé”.
Em um momento de descontração, o pontífice mencionou o hábito tradicional de compartilhar a bebida típica da região. Leão XIV comentou que o mate chegou até Roma — fazendo uma possível alusão ao seu antecessor — e arrancou risos da multidão. Logo em seguida, resgatou o tom reflexivo ao afirmar que a partilha da cuia representa um poderoso símbolo de amizade, união e recolhimento espiritual.
Visita a área vulnerável e banho de povo De retorno à capital uruguaia, a agenda incluiu uma parada no bairro Casavalle, reconhecido pelos desafios socioeconômicos e índices elevados de violência. O destino foi a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, santuário caro ao Papa, que recebeu a ordenação episcopal justamente no dia festivo da virgem em 2014 e consagrou seu pontificado a ela no ano anterior.
Na comunidade, o pontífice conheceu iniciativas sociais voltadas para a habitação popular de famílias carentes. Antes de seguir rumo à Universidade Católica para dialogar com jovens e educadores, ele abriu espaço para cumprimentar idosos, religiosos e cadeirantes.
Lotação esgotada no Estádio Centenário Enquanto isso, a expectativa crescia para o ápice da viagem apostólica: a celebração no lendário Estádio Centenário. Embora o Uruguai seja caracterizado por forte laicidade e maioria secular, a resposta dos católicos impressionou pela intensidade.
Todos os 60 mil bilhetes de entrada franca esgotaram-se em menos de três horas, demonstrando a paciência e a disposição do povo em aguardar horas nas filas para vivenciar o maior encontro com o pontífice na história do país.






