O Partido dos Trabalhadores está se movimentando nos bastidores para impedir que a legenda liderada por Valdemar da Costa Neto integre o grupo de apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) ao comando da Câmara dos Deputados. A disputa envolve diretamente a divisão de postos de relevo na Mesa Diretora e o controle das comissões permanentes da Casa.
Posicionamento do líder petista sobre a aliança O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse ao Poder360 que considera “incompatível” a participação do PL no grupo de apoio a Motta. A inclusão da sigla, dona de 121 cadeiras, ameaça os acordos para o preenchimento de espaços de poder, com destaque para a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). Apesar disso, o parlamentar catarinense ressaltou que o presidente da Casa argumenta que a entrada de novas agremiações passará por deliberação coletiva.
Impacto proporcional na distribuição de comissões Atualmente, o bloco alinhado a Motta já soma 361 parlamentares confirmados, superando com folga o patamar mínimo de 257 votos exigido para o triunfo no pleito. Com 70 deputados, a bancada petista reivindica prioridade na escolha dos colegiados. No entanto, caso a legenda oposicionista seja aceita no arranjo, ela passaria a ter preferência em razão de seu tamanho superior, embora o comando da CCJ siga dependendo de entendimentos políticos.
Críticas do centrão e avaliação de isolamento Aliados de Motta no Centrão apontam que o partido da oposição criou um cenário de isolamento político ao recusar as reconduções do próprio presidente da Câmara e de Davi Alcolumbre no Senado. A pretensão de comandar ambas as Casas Legislativas também foi alvo de duras críticas por parte de lideranças do grupo.
“Partido do presidente não pode querer presidência da Câmara e do Senado, é uma decisão burra, chega a ser amadora”, declarou um dos dirigentes do Centrão.
Apesar da resistência em incluir a sigla no bloco, Uczai pontuou que o isolamento se dará na prática legislativa.
“O que vai isolar com o PL vai ser a pauta legislativa, os retrocessos, as pautas reacionárias, as pautas deles que podem ser isolados no processo de votação”, afirmou o líder petista.
Resistência interna e futuros passos do partido Dentro da própria legenda oposicionista, o alinhamento com Motta encontra forte resistência, alimentada pela aproximação do chefe do legislativo com o Palácio do Planalto e por supostos acordos não cumpridos no passado recente.
“Essa decisão do Motta de pular para dentro da campanha do Lula pode ter prejudicado a possibilidade de aproximação. Acabou causando um afastamento. Ele aprovou tudo que o Lula pediu nesses anos”, disse um dos políticos do partido.
Congressistas da sigla ainda apontam frustração com a tramitação de propostas anteriores.
“Nesses últimos 4 anos, a gente esteve em várias comissões, foram aprovados vários projetos do PL, mas nenhum deles foi levado a plenário. Então, às vezes a gente começa a se perguntar se compensa fazer parte de comissão. Tudo decidido na urgência, na canetada. Então, a gente vai conversar sobre isso”, afirmou.
A definição oficial sobre a participação no bloco ou o lançamento de uma candidatura própria ocorrerá após uma reunião da bancada marcada para esta quarta-feira (11.nov.2026).
“O presidente da Câmara apoiou o PT, então ficou uma situação muito desconfortável para o partido, obviamente, apoiar. Porém, tem outros parlamentares, que são a minoria, que justamente se preocupam com a questão das comissões, de um espaço dentro da Câmara para fazer oposição. Mas a maioria tá querendo lançar uma candidatura própria”, declarou um integrante da sigla.






