Com a chegada do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 neste domingo (8), o nervosismo costuma atingir níveis elevados entre os candidatos. Pensamentos acelerados, insônia e falta de apetite figuram entre os sintomas mais comuns enfrentados pelos estudantes na reta final.
O peso emocional do exame
A psicóloga Victória Sales explica que a tensão tende a se intensificar porque o processo seletivo é enxergado por muitos como um divisor de águas para o futuro. Diante disso, a expectativa por aprovação amplia a preocupação com o desempenho, tornando fundamental o apoio da família para evitar cobranças excessivas por resultados imediatos.
“É super normal isso acontecer. Com a proximidade da prova do Enem, a gente aumenta a ansiedade, os pensamentos ficam mais acelerados. E isso acontece porque essa prova é vista como um evento muito importante, que pode ser até ameaçador pelo estudante”, detalhou a psicóloga.
Como lidar com a preparação na reta final
Na semana decisiva, alguns candidatos sofrem com a sensação de que deveriam ter estudado mais. Contudo, tentar compensar todo o conteúdo pendente nos últimos dias não é recomendado. O ideal é reconhecer a trajetória de dedicação construída ao longo dos meses anteriores e evitar o esgotamento mental.
A especialista também aconselha flexibilizar as metas, lembrando que não é obrigatório gabaritar a avaliação para obter um bom resultado. O foco deve ser aplicar da melhor forma o conhecimento já adquirido.
“Então, se você estudou, você está preparado para essa prova e não precisa ser perfeito na prova. Trabalhar essa expectativa é muito importante, porque os estudantes acabam achando que precisam acertar todas as questões. E, na verdade, eles só precisam fazer uma boa prova com o conhecimento que já têm”, afirmou.
Técnicas para recuperar o foco e a calma
Os reflexos físicos da pressão incluem dores de cabeça, taquicardia e distúrbios do sono. Proteger as horas de descanso é vital, pois o cérebro precisa estar revigorado para garantir atenção, memória e agilidade no raciocínio.
“Os estudantes acabam caindo nas armadilhas de querer analisar tudo, e isso acaba fazendo com que o cérebro fique mais cansado. No dia seguinte, você não funciona muito bem”, disse a profissional.
Caso o pânico surja bem no meio do exame, a orientação é recorrer a um exercício simples de controle respiratório: puxar o ar lentamente por três segundos e expirar de maneira ainda mais pausada, levando seis segundos.
“Quando eu estou muito ansiosa, a respiração fica mais curtinha. E esse processamento fica muito bagunçado. O que eu posso fazer? Eu posso parar um pouquinho, respirar lentamente por três segundos e soltar essa respiração mais lentamente ainda por seis segundos”, orientou.
Outra alternativa eficaz é o método de ancoragem “cinco, quatro, três, dois, um”, criado para resgatar a mente para o momento presente através dos sentidos:
* Identificar 5 coisas visíveis * Notar 4 sons ao redor * Perceber 3 sensações físicas * Sentir 2 cheiros * Reconhecer 1 sabor
Essa dinâmica serve para frear o ciclo de preocupações com o futuro e devolver a atenção para a resolução das questões.
“Quando a ansiedade está muito forte, os pensamentos ficam muito intensos e capturam a nossa atenção do momento presente para o momento futuro. A cabeça fica: ‘E se eu não passar? E se eu não for bem nessa prova? O que eu vou fazer?’. Com essa técnica, eu ajudo a trazer os sentidos de volta para o momento presente, aliviando a ansiedade”, descreveu.






