A prefeitura de Itapeva, no interior paulista, formalizou nesta sexta-feira estado de calamidade pública em decorrência da contaminação da rede de distribuição de água pelo parasita Cryptosporidium spp. e pela bactéria Escherichia coli enteroagregativa.
Impacto na saúde da população Entre os dias 13 de setembro e 31 de outubro, o município contabilizou mais de 4,3 mil atendimentos médicos a pacientes que apresentavam sintomas típicos de gastroenterite. O pico da procura ocorreu na primeira semana de outubro, quando 1,5 mil pessoas lotaram as unidades de saúde locais em busca de socorro médico.
O protozoário detectado nas análises afeta diretamente as células do intestino delgado humano e costuma ser transmitido por meio da ingestão de água ou de alimentos que tenham tido contato com dejetos de pessoas ou animais infectados. Entre os principais sintomas estão diarreia intensa, febre, cólicas e episódios de náusea e vômito.
Por sua vez, a bactéria identificada nas amostras se fixa na mucosa intestinal e libera toxinas capazes de danificar o órgão, provocando diarreias líquidas, mal-estar geral e febre baixa que podem persistir por mais de duas semanas, prejudicando a absorção de nutrientes pelo organismo.
Detalhes do decreto municipal A oficialização da medida ocorreu por meio do Decreto nº 15.526, publicado no Diário Oficial do Município, amparado por laudos laboratoriais emitidos no final de outubro e início de novembro que confirmaram a presença dos patógenos.
A administração local classificou o episódio como um desastre biológico de Nível III, patamar que denota grande intensidade e compromete a capacidade de resposta isolada da gestão municipal, exigindo esforço conjunto entre prefeitura, estado e governo federal. O decreto tem validade inicial de 180 dias.
Ações emergenciais e suspensão de tarifas Com a vigência do decreto, o poder público ganhou autonomia para implementar ações urgentes, como a distribuição gratuita de água potável por meio de caminhões-pipa e em pontos fixos instalados em escolas e unidades de saúde, além da restrição temporária do uso da rede pública para consumo humano.
Em paralelo, a Sabesp anunciou um pacote de investimentos de R$ 50 milhões que inclui a criação de uma comissão técnica independente, a instalação de dez pontos comunitários de abastecimento com reservatórios de grande porte e a distribuição de kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade.
A companhia também determinou a suspensão automática da cobrança das tarifas de água e esgoto no município para todas as contas emitidas entre 6 de novembro e 5 de dezembro.
Investigações em curso O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar a origem da contaminação e apurar eventuais responsabilidades pelos danos causados à saúde pública, enquanto aguarda a conclusão de laudos técnicos complementares.






