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Homem supera câncer de mama em SP e usa palestras contra tabu

Após superar câncer de mama, homem dá palestras para quebrar preconceitos sobre doença em SP: 'Vida vale muito mais'

O diagnóstico de câncer de mama em homens ainda é cercado de forte desconhecimento e preconceito, cenário que o analista de recursos humanos Paulo Marchesin, morador de Piracicaba (SP), tenta transformar através de palestras educativas após vencer a doença que descobriu há cerca de 13 anos.

O susto do diagnóstico e os primeiros sintomas

A descoberta ocorreu quando ele tinha 43 anos, durante o período de conscientização do Outubro Rosa. Os sinais iniciais apareceram como um leve incômodo na região do mamilo esquerdo, mas o reflexo foi a automedicação por um longo período até que o quadro se agravasse.

“A dor começou bem pequena, como se tivesse uma agulha dentro do mamilo. Eu me automedicava. Foram decorrendo anos e anos, até que a dor ficou com uma intensidade um pouco maior. Tomava medicação, mas não melhorava muito. A camisa que eu vestia machucava. Acabei procurando um mastologista.”, relatou.

A biópsia confirmou um tumor em grau quatro, exigindo a remoção total do mamilo esquerdo e também da glândula do lado direito para evitar metástase.

“Perdi o chão. Nós, homens, achamos que isso não existe para o homem. Perdi totalmente o chão, não sabia o que fazer. Ele [médico] falou que precisaria tirar todo o tecido e também tirar a glândula.”, afirmou.

Tratamento prolongado e a importância da fé

Foram necessárias sessões semanais de quimioterapia ao longo de um ano inteiro até que a cura fosse alcançada. Para enfrentar o período mais crítico, o apoio espiritual foi fundamental.

“Quando a gente tem essa notícia sobre o câncer, é um buraco sem ver luz, porque você não sabe o que vai encontrar. Quando comecei, fiquei muito ansioso, porque não sabia como era o tratamento. Uma coisa que nunca perco na minha vida e falo isso para todo mundo: na nossa vida, a gente tem que ter um equilíbrio financeiro, espiritual. Então eu falo que a minha fé me levou aonde estou hoje.”, pontuou.

Atualmente, Marchesin dedica parte da rotina a alertar o público masculino sobre a necessidade de atenção aos sinais físicos.

“Se tem algo de estranho no seu corpo, algo existe. Eu tinha algo estranho no meu corpo, mas eu me automedicava. Não deixe de ir ao médico, fazer exame, não deixe de se cuidar, olhe-se, toque-se, porque sua vida vale muito mais do que qualquer outra coisa.”, aconselhou.

Estatísticas e o diagnóstico tardio em homens

Dados apontam que 87 homens receberam o diagnóstico de câncer de mama no estado de São Paulo apenas em 2026. Embora representem cerca de 1% de todas as ocorrências da patologia, esses tumores costumam ser descobertos em fases mais avançadas.

Segundo a médica oncologista Talita Coelho, a baixa suspeita por parte do público masculino impacta diretamente a velocidade da detecção.

“O tumor masculino de mama é mais raro, cerca de 1% de todos os casos de tumores de mama, mas não necessariamente genérico. Muitas das vezes, sim, mas não necessariamente, pode ser causado por questões esporádicas.”, explicou.

Levantamentos da Sociedade Brasileira de Radioterapia mostram que quase 44% dos casos em homens atendidos em hospitais paulistas já estavam avançados, superando o índice de 33% registrado entre as mulheres.

“O problema que a gente tem no câncer de mama masculino é que o homem não pensa que vai ter a doença. Ele não procura, a gente não faz o rastreio, ele demora para associar o sintoma com a possibilidade de ter a doença. Então demora ter um diagnóstico. Com essa demora, a gente tem um tumor um pouco mais avançado”, concluiu a especialista.

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