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Paulo Afonso reduz jornada escolar devido a onda de calor extremo

Redução do horário de aulas em cidade na Bahia mostra como calor extremo pode afetar aprendizado nas escolas; entenda caso

Enfrentando temperaturas extremas, a prefeitura de Paulo Afonso, localizada no norte da Bahia, decidiu encurtar as aulas da rede municipal em até 50 minutos diários. A alteração entrou em vigor no dia 29 de outubro e tem término programado para 16 de dezembro.

Prevenção à saúde e previsão do tempo

Apesar do cenário de altas temperaturas, a administração municipal esclareceu que nenhum caso de mal-estar foi registrado entre os alunos ou funcionários até o momento. A ação possui caráter puramente preventivo, visando garantir o bem-estar da comunidade escolar.

As previsões meteorológicas indicam que os termômetros locais podem alcançar a marca máxima de 41ºC. Conforme dados do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o fenômeno El Niño continuará influenciando o clima baiano até o início de 2027, provocando escassez de chuvas e calor superior a 40°C em várias regiões.

O El Niño corresponde ao aquecimento atípico das águas superficiais localizadas no Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e modificando os regimes tradicionais de temperatura e precipitação ao redor do planeta.

Impactos do calor na educação

Especialistas apontam uma relação direta entre o clima severo e a queda no rendimento escolar. Francisco Costa, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador ambiental, destaca que o problema afeta negativamente o desempenho acadêmico.

Ele integra a equipe responsável pela pesquisa “Quente demais para aprender? Evidências sobre a evasão escolar no ensino médio no Brasil”, lançada em 2024. O levantamento examinou dados de repetência, progressão e abandono escolar em 30 mil instituições de ensino do país ao longo de doze anos.

“Mais dias de calor contribuem para a evasão escolar no ensino médio nas escolas públicas. A exposição frequente ao calor reduz a performance tanto do aluno, como do professor”, explicou em entrevista ao g1.

O estudo também revelou que o impacto negativo ocorre exclusivamente em escolas públicas situadas em zonas urbanas, enquanto a rede privada registrou índice nulo nesse aspecto.

“Para muitos adolescentes, a ida para a escola está associada ao custo benefício. Se ele sente que não está aprendendo e ainda precisa trabalhar, por exemplo, o calor pode influenciar na decisão, como uma piora na experiência de sala de aula”, analisou.

“Ele não é o causador da evasão escolar, mas pode ser a gota d’água”.

A iniciativa foi bem recebida por responsáveis de alunos, como Fabiane Silva, mãe de um estudante do 9º ano da Escola João Bosco. “Aqui está muito quente, muito abafado. Achei compreensível essa redução”, comentou.

Infraestrutura e rede elétrica

Enquanto a rede municipal adotou o horário reduzido, as escolas estaduais mantêm a carga horária normal em Paulo Afonso. De acordo com a Secretaria de Educação do Estado (Sec), as seis unidades estaduais do município contam com salas climatizadas por aparelhos de ar-condicionado.

Por outro lado, a mudança nas escolas do município reflete a ausência de climatização em todas as salas. Uma vistoria técnica realizada pela prefeitura apontou que várias unidades exigem reformas na rede elétrica para suportar o uso simultâneo de equipamentos de refrigeração sem riscos à segurança.

Com a nova rotina, o encerramento das aulas ocorre mais cedo nos turnos matutino e vespertino. A medida busca diminuir o tempo de permanência sob calor excessivo, considerando também fatores logísticos como transporte, fornecimento de merenda, rotina familiar e funcionamento administrativo das escolas.

Desafios climáticos futuros

Para o pesquisador Francisco Costa, o fenômeno climático atual exige planejamento de longo prazo frente às mudanças do clima. “Os dias com temperaturas mais quentes vão aumentar e nesse cenário o investimento em infraestrutura é ainda mais importante”, explicou.

A instalação de sistemas de ar-condicionado surge como a alternativa mais viável, embora demande aportes financeiros e planejamento estratégico por parte do poder público local.

A Prefeitura de Paulo Afonso informou que pretende realizar melhorias estruturais de forma gradual, respeitando critérios técnicos, disponibilidade orçamentária e a operacionalidade da rede de ensino.

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