O Senado do Paraguai decidiu prosseguir com o processo de impedimento contra o presidente Santiago Peña e agendou uma sessão extraordinária para esta sexta-feira, às 10h (horário de Brasília), ocasião em que o governante deverá comparecer perante o plenário para se defender das acusações.
Crise política e tentativa de renúncia frustrada Mais cedo, o Legislativo paraguaio havia suspendido a análise sobre a saída voluntária do chefe de Executivo depois que parlamentares governistas abandonaram o plenário em meio a um intenso confronto político com a oposição. A manobra provocou a ausência de quórum necessário, inviabilizando a votação e mantendo Peña no cargo.
O político, que assumiu a presidência em 2023, havia anunciado sua renúncia na tarde de quinta-feira (5), na sequência de um escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira associada a antigos parceiros comerciais do chefe de Estado.
Avanço do processo de impeachment Antes do anúncio da saída voluntária, o avanço do julgamento político no Congresso já contava com o apoio da principal bancada governista, que sinalizou adesão à destituição.
“Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiará o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.
A Câmara dos Deputados havia iniciado os debates pela manhã e, com a presença de 35 parlamentares e o apoio de outras facções políticas, pavimentou o caminho para uma possível votação unânime. O encaminhamento à Câmara Alta exige a aprovação de dois terços dos deputados presentes, enquanto a cassação efetiva fica a cargo do Senado.
Protestos e intervenção no setor financeiro A instabilidade política eclodiu após milhares de cidadãos tomarem as ruas de Assunção na última terça-feira (3) para exigir o desbloqueio de seus recursos financeiros no Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do território paraguaio, que acabou sob intervenção estatal após ser declarado insolvente.
O Banco Central determinou o congelamento de contas e reservas públicas, além de suspender temporariamente saques de determinados fundos de investimentos atrelados à instituição, que prestava serviços a cerca de metade dos 6,4 milhões de habitantes do país.
Como medida de alívio aos afetados, o regulador financeiro informou que antecipará o pagamento do Fundo de Garantia de Depósitos até o limite de 40 salários mínimos, deduzindo eventuais débitos pendentes com o banco.
Prisões e desdobramentos judiciais Em paralelo à crise institucional, o Poder Judiciário decretou a prisão preventiva de oito investigados por ligação com o colapso bancário, incluindo o presidente da instituição financeira, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.






