A Polícia Civil iniciou uma investigação para desmantelar um esquema de estelionato que utiliza a venda de cartas de consórcio contempladas para lesar consumidores no Vale do Paraíba. Até o momento, 20 vítimas formalizaram denúncias nas delegacias de Jacareí, São José dos Campos e Santa Branca, relatando prejuízos financeiros significativos após pagamentos antecipados que chegavam a R$ 90 mil.
Como o esquema funcionava
Os suspeitos criaram uma estrutura aparentemente legal, com abertura de empresa, sites próprios e valores de mercado para conferir credibilidade ao negócio. A promessa era de liberação da carta de crédito em até 60 dias úteis. Contudo, as autoridades suspeitam que os créditos nunca existiram. O delegado Tiago Martins Rodrigues, do 1º Distrito Policial de Jacareí e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), aponta que o foco é verificar se houve a intenção deliberada de enganar os clientes. “Se a gente conseguir identificar que eles sabiam que não iam conseguir entregar, que não existia essa carta contemplada e que estavam induzindo essas pessoas em erro, aí é crime de estelionato”, explicou o delegado.
Relatos de prejuízo das vítimas
O modus operandi incluía a indicação por conhecidos, o que trazia uma falsa sensação de segurança. A escrevente Karina Souza Paula, uma das vítimas, perdeu quase R$ 90 mil na tentativa de adquirir um terreno. Após o vencimento do prazo, a responsável pelo contrato tornou-se inacessível. “Eu falei: pronto, acho que caí num golpe”, relata.
Situação semelhante viveu o empresário Emerson Rezende, que transferiu mais de R$ 77 mil via Pix. Ao notar a ausência de retorno, ele tentou solicitar o estorno, mas o escritório dos suspeitos já estava vazio. “Foi uma coisa bem frustrante, porque a gente se programou para isso, investiu. Tem gente que até pegou empréstimo para pagar”, conta. O motorista autônomo Aldemir Moreira Martins, que buscava comprar uma carreta, também foi lesado em R$ 53 mil. “Todo mundo que juntou esse dinheiro foi trabalhando”, afirma.
Cuidados e orientações de segurança
A Polícia Civil alerta que a existência de um CNPJ ou de uma página na internet não é garantia de idoneidade. O delegado Tiago Martins Rodrigues reforça a necessidade de cautela com promessas de liberação rápida e exigências de depósitos antecipados. “Se a oferta está muito boa, desconfie. Ninguém quer perder dinheiro, principalmente o vendedor”, alertou.
Para quem foi alvo de transações via Pix, a recomendação é acionar imediatamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED) junto ao banco. Além disso, o Banco Central disponibiliza ferramentas como o Registrato, para monitorar contas vinculadas ao CPF, e o BC Protege+, que auxilia no bloqueio de abertura de novas contas em nome do consumidor, prevenindo fraudes futuras.






