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Pesquisa em Fernando de Noronha usa DNA ambiental para rastrear golfinhos

Pesquisadores usam DNA ambiental para investigar golfinhos em Fernando de Noronha

Um projeto piloto conduzido em Fernando de Noronha está utilizando amostras de água do mar para investigar a presença de golfinhos-rotadores e outras espécies marinhas. A metodologia inovadora emprega a tecnologia de DNA ambiental (eDNA), que possibilita o rastreamento de vestígios genéticos deixados pelos animais de forma totalmente não invasiva, eliminando a necessidade de capturar ou tocar nos espécimes.

Iniciativa acadêmica e científica A investigação científica é desenvolvida por especialistas do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), em colaboração com o Projeto Golfinho Rotador. O propósito central do trabalho é testar e aprimorar métodos capazes de detectar resíduos biológicos — como células, muco e fezes — deixados naturalmente pelos animais na água.

Dessa forma, os pesquisadores conseguem constatar se determinado animal cruzou uma região específica, mesmo que nenhum indivíduo seja avistado no momento da coleta.

“Essa pesquisa representa uma oportunidade de ampliar as ferramentas que utilizamos para estudar e proteger os golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha. Com o DNA ambiental, queremos investigar a presença desses animais a partir de vestígios genéticos encontrados na água, sem a necessidade de contato direto”, afirmou o oceanógrafo José Martins, coordenador do Projeto Golfinho Rotador.

Análises laboratoriais e profundidades variadas Para compreender a dispersão do material genético, a equipe recolhe amostras em diferentes profundidades marinhas. O procedimento laboratorial engloba duas vertentes principais: a técnica de PCR em tempo real (qPCR), voltada para isolar especificamente o DNA dos golfinhos-rotadores, e o metabarcoding, método que analisa trechos genéticos diversos para mapear variados organismos presentes no ambiente.

Os cientistas também cruzam os dados laboratoriais com registros visuais dos animais e com variáveis oceanográficas, como correntes marítimas e a taxa de degradação do DNA na água. Embora promissora, a tecnologia ainda está em fase inicial de validação, o que exige o mapeamento de limitações e graus de sensibilidade. Os especialistas ressaltam que o eDNA não substitui a observação visual tradicional, mas atua como um importante complemento.

Monitoramento do peixe-leão Além dos famosos golfinhos, o estudo direciona atenção para o peixe-leão (Pterois volitans), uma espécie invasora e venenosa originária da região do Indo-Pacífico. O animal representa uma ameaça significativa à fauna marinha brasileira e aos peixes nativos devido ao seu comportamento predatório.

Para viabilizar o rastreio da espécie invasora, a equipe coletou amostras de tecido do animal na ilha, visando criar um padrão de detecção por meio de testes na água.

“Noronha abriga uma biodiversidade muito importante, e precisamos avançar constantemente nas formas de monitorá-la. Além dos golfinhos, estamos avaliando a aplicação dessa tecnologia na identificação de espécies invasoras, como o peixe-leão”, afirmou a pesquisadora UFPR, Victória Casanho.

Protocolos e conservação futura Como parte do cronograma, os cientistas estruturam um protocolo detalhado para padronizar a coleta, conservação, transporte e análise das amostras diante das particularidades geográficas de Fernando de Noronha. A meta é viabilizar o uso contínuo da ferramenta em futuras ações de preservação no Atlântico Sul, fortalecendo a proteção da biodiversidade em áreas marinhas protegidas e locais de acesso restrito.

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