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Pesquisa aponta peixes com tumores e deformidades 11 anos após Mariana

Pesquisa da Ufes encontra peixes com tumores e deformidades 11 anos após desastre de Mariana; VÍDEO

Mais de uma década após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, investigações científicas continuam apontando graves alterações no ecossistema aquático da bacia do Rio Doce. Um levantamento conduzido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou peixes com tumores, deformações corporais e substâncias contaminantes acima dos limites regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Detalhes das análises laboratoriais Entre as ocorrências documentadas pelos especialistas estão larvas de peixes com má-formação, ovos inviáveis e concentrações elevadas de metais pesados. Um exemplar de linguado analisado pela Universidade Federal do Rio Grande apresentou uma concentração de chumbo de 0,726 miligrama por quilo, ultrapassando o teto tolerado de 0,30 mg/kg. Duas corvinas avaliadas apresentaram níveis dentro dos limites normais, mas exibiram lesões cutâneas e crescimentos nodulares na região da boca.

“Nos animais também foram observadas alterações externas, como lesões na pele e uma massa nodular que se estendia da região da mandíbula até a cavidade oral de uma das corvinas”, informou a Ufes.

Apesar dos dados alarmantes, a instituição pontuou que o escopo principal do trabalho não abrange a avaliação toxicológica para a saúde humana.

“O PMBA tem como objetivo avaliar a qualidade ambiental e as condições da biodiversidade aquática, não contemplando, em seu escopo, a avaliação de riscos à saúde humana decorrentes do consumo de pescado”, informou a universidade ao g1.

Impactos e relatos na região afetada Trabalhadores da pesca que operam em rios e no litoral capixaba relatam encontrar com frequência espécimes doentes e com características físicas alteradas em comparação ao período anterior à tragédia. Entre os registros dos profissionais constam tartarugas com feridas na cabeça e nas nadadeiras, além de ostras encobertas por sedimentos de lama.

Um pescador mostra um peixe linguado encontrado em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, e aponta a existência de tumores. Ele questiona: “Como é que o pescador vai comer um peixe desse?”.

Apesar dos sinais visíveis de degradação e da presença de contaminantes pontuais, os ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente publicaram uma portaria autorizando novamente a atividade pesqueira comercial em um trecho marítimo próximo à foz do Rio Doce.

Evolução ambiental e respostas das empresas Os registros apontam uma tendência de redução gradual nos índices gerais de contaminação na água e nos sedimentos ao longo dos anos. Contudo, os pesquisadores alertam que eventos climáticos extremos, como chuvas volumosas e frentes frias, provocam a ressuspensão de sedimentos acumulados, liberando novos contaminantes no meio aquático.

Procurada pela reportagem, a mineradora Vale reforçou o compromisso com a reparação integral dos danos causados pelo colapso da barragem e com as diretrizes do Acordo Definitivo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. A Samarco destacou que o Novo Acordo do Rio Doce contempla frentes contínuas de monitoramento hídrico e estuarino, além de repasses financeiros expressivos para apoiar o trabalho independente de dezenas de instituições científicas na região.

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