O Brasil é realmente um dos países que mais “trituram” treinadores. Segundo levantamentos do CIES Football Observatory, o Brasileirão figurou entre as ligas com maior rotatividade do mundo (6ª em um estudo recente, com cerca de 85% dos clubes trocando de técnico em 12 meses).
O cenário da alta rotatividade O tempo médio de permanência gira em torno de 8 a 8,6 meses, e só uma minoria dos trabalhos passa de dois anos. Nesse contexto, manter o mesmo técnico por uma temporada inteira (ou mais) já é excepcional. Os cinco atuais se encaixam nessa lógica, mas com graus diferentes de “heroísmo”.
Abel Ferreira e a longevidade no Palmeiras Abel Ferreira (Palmeiras): O caso mais evidente. Está no clube desde o fim de 2020 (cerca de 6 anos). É o técnico mais longevo da Série A, um dos mais longos da história recente do futebol brasileiro, e o maior campeão da história do Palmeiras (11 títulos, incluindo 2 Libertadores e 2 Brasileirões). Em um ambiente de extrema volatilidade, isso é raríssimo e muito bem-sucedido.
Rogério Ceni consolida trabalho no Bahia Rogério Ceni (Bahia): No clube desde setembro de 2023 (mais de 3 anos). Chegou para evitar o rebaixamento, consolidou o trabalho, classificou o Bahia para a Libertadores depois de décadas e conquistou títulos regionais (Baiano e Copa do Nordeste). É o segundo trabalho mais longevo da Série A atual e um exemplo claro de continuidade que gerou resultados.
Odair Hellmann transforma o Athletico-PR Odair Hellmann (Athletico-PR): No cargo desde maio de 2025. Subiu o time da Série B e o colocou em disputa por vagas na parte de cima da tabela. Já é o técnico mais longevo da era Petraglia no clube e renovou contrato. Trabalho consistente e de transformação.
Vagner Mancini e Rafael Guanaes mantêm estabilidade Vagner Mancini (Red Bull Bragantino) e Rafael Guanaes (Mirassol): Mantiveram-se desde o início do Brasileirão 2026. No caso do Mirassol (clube de menor estrutura), a estabilidade tem valor especial. Não são ciclos longuíssimos como os de Abel e Ceni, mas resistem à ciranda típica do país.Chamar os cinco de “heróis da resistência” é um rótulo retórico e um pouco exagerado para todos (especialmente os de trabalho mais curto), mas faz sentido no imaginário do futebol brasileiro.
Abel Ferreira é, de longe, o símbolo máximo dessa resistência bem-sucedida. Ceni também merece o reconhecimento. Os outros três demonstram que ainda é possível, mesmo em 2026, apostar em continuidade e colher resultados sem cair na tentação da demissão precoce.Ainda faltam rodadas, então a lista pode encolher. Mas, no cenário atual, sim — eles se destacam exatamente por sobreviverem (e, em alguns casos, prosperarem) no “país que tritura treinadores”.






