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Líderes globais repercutem derrota histórica de Trump nas midterms

'Golpe devastador para Trump', 'não à guerra' e 'sinal político de mudança': líderes mundiais reagem à vitória dos democratas

A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos repercutiu intensamente entre líderes internacionais e autoridades globais, sendo amplamente interpretada como um revés severo para a gestão do presidente republicano Donald Trump. Enquanto políticos europeus e aliados comemoraram a conquista da maioria na Câmara e no Senado, defensores do atual governo minimizaram o impacto. Os críticos do líder americano enfatizaram que o resultado pode trazer transformações significativas para a política externa e para o cenário diplomático mundial.

Reações na Europa e na África Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou que os eleitores rejeitaram práticas prejudiciais à sociedade. Em sua conta no X, ele afirmou: "Ontem, o povo americano votou contra políticas que servem apenas para empobrecer as pessoas. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites". O premiê espanhol ainda pontuou: "Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na Espanha".

Por sua vez, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, avaliou o peso geopolítico do pleito e declarou que as mudanças vão "introduzir uma nova era nas relações mundiais". Ele acrescentou: "Vimos que os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, e o povo americano se pronunciou". No mesmo sentido, o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, enxergou no processo "um poderoso sinal político de uma mudança de rumo entre os eleitores americanos", ressaltando que líderes mais alinhados aos interesses noruegueses em pautas ambientais e diplomáticas ganham força.

Visões de Rússia, Itália e Parlamento Europeu De Moscou, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, pontuou que a liderança democrata adota uma "abordagem fortemente negativa" em relação ao país. Ele ressaltou: "Nossa posição firme e consistente em relação à Ucrânia — assim como nossa política externa em geral — não se baseia em considerações de curto prazo e, naturalmente, não depende das oscilações do cenário político em outros países. Continuaremos nosso trabalho de acordo com as diretrizes do presidente da Federação Russa".

Já Bernd Lange, membro do Parlamento Europeu, classificou o pleito como "um golpe devastador para Trump e suas políticas. Uma grande vitória para a democracia americana. Os eleitores se pronunciaram: Trump só se importa com Trump. Agora ele está pagando o preço por isso. Nenhuma quantidade de gritos de ‘notícias falsas’ pode mudar esses fatos". Contudo, ele alertou que um chefe de Executivo enfraquecido pode adotar posturas mais imprevisíveis, afirmando que "um pato manco pode rapidamente se transformar em um pato furioso. Para a União Europeia, isso é uma oportunidade e um alerta. Uma maior influência democrata pode trazer mais previsibilidade e diálogo. Mas o protecionismo americano não vai desaparecer".

Na Itália, o líder da ultradireita Matteo Salvini enfatizou a legitimidade do processo eleitoral. "A democracia funciona em um país livre como os Estados Unidos, e quando um povo vota, seu voto deve sempre ser respetado e compreendido", disse, expressando o desejo de que o resultado traga "uma aceleração rumo ao fim dos conflitos e ao retorno da paz".

Entendendo o sistema das midterms americanas Diferentemente do modelo brasileiro, o sistema legislativo dos Estados Unidos passa por renovações periódicas a cada biênio. Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato ocorrem exatamente no centro do período presidencial. Enquanto os deputados federais cumprem mandatos de dois anos, os senadores exercem funções por seis anos. Com esse formato, a cada 24 meses o país decide o destino de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de cerca de 33% dos assentos do Senado, alterando de forma dinâmica o equilíbrio de poder em Washington.

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