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Ibama intensifica combate armado ao garimpo ilegal em áreas remotas do Amazonas

Agentes armados, explosões e operações na mata; entenda a atuação do Ibama contra o garimpo ilegal no Amazonas

Vídeos que mostram agentes armados invadindo áreas de mata para explodir dragas e incendiar aeronaves ligadas à extração clandestina de ouro têm gerado grande repercussão nas redes sociais, revelando uma vertente operacional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Sustentáveis (Ibama) que surpreende parte da população.

Atuação operacional e parcerias estratégicas

No Amazonas, essas missões ocorrem de forma periódica em regiões isoladas como o Vale do Javari e o Rio Madeira, frequentemente coordenadas em parceria com a Polícia Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e demais forças de segurança. Um exemplo recente ocorreu durante a Operação Aurum, próximo ao vilarejo Santa Rita do Weill, em Tabatinga, onde equipes conjuntas apreenderam ou inutilizaram oito dragas, sete motor-balsas e uma rabeta. De acordo com o superintendente do Ibama no estado, Joel Araújo, cerca de 4 mil dragas já foram destruídas em território amazonense desde 2023.

O novo perfil da fiscalização ambiental

O superintendente ressalta que o escopo de atuação do instituto vai muito além da tradicional emissão de licenças ou do manejo de animais silvestres, abrangendo o confronto direto a organizações criminosas com o uso de armamentos letais e não letais, além de equipamentos de proteção individual e apoio logístico de aeronaves e embarcações rápidas.

“É um Ibama que se equipa, que se prepara, que usa armamento, que usa armamento letal e não letal, que usa colete à prova de bala, capacetes, helicópteros, lanchas rápidas, tem o apoio ali da Polícia Federal, da Força Nacional e outras agências de segurança pública”, afirmou o superintendente.

Ele acrescenta que a exposição dessas missões na internet tem ajudado a desmistificar a imagem branda que o público geral costuma associar à autarquia.

“Muitas vezes o Ibama fica associado a algumas atividades que são mais brandas, tipo o licenciamento ambiental, ou o resgate, tratamento e soltura da fauna silvestre, manejo em vida livre da fauna. Isso dá um certo entendimento sobre o que é o Ibama. E agora as pessoas estão descobrindo outro Ibama, que faz o enfrentamento direto a criminosos”, disse.

Justificativa legal para a queima de equipamentos

A prática de destruir os bens apreendidos em vez de retirá-los dos locais é amparada pelo Artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que autoriza a medida quando o transporte é inviável ou oferece riscos iminentes às equipes e ao meio ambiente. A logística complexa de remover milhares de toneladas de metal por rios distantes exporia os servidores a armadilhas e emboscadas em zonas de difícil acesso.

“Para você ter uma ideia, no Amazonas nós já contabilizamos desde 2023 aproximadamente 4 mil dragas destruídas. Então imagina se não houvesse essa medida cautelar da destruição. A logística seria inviável. Retirar essas dragas dos locais mais longínquos seria muito difícil e muito arriscado também. A equipe pode sofrer emboscadas no caminho”, explicou Joel Araújo.

O chefe da assessoria de comunicação do Ibama, Tiago Costa, reforça que o risco também está ligado à precariedade dos aparatos utilizados pelos garimpeiros.

“Essa questão da segurança é especialmente relevante para aeronaves, que são adaptadas para transporte de equipamentos e produtos do garimpo, comprometendo completamente a segurança dos passageiros”, explicou Tiago Costa.

Impacto ambiental momentâneo versus dano contínuo

Sobre a poluição gerada pela queima de maquinários, a gestão do órgão argumenta que os prejuízos pontuais da destruição são insignificantes quando comparados à degradação contínua provocada pela atividade clandestina, lembrando que todo o processo de inutilização passa por registros fotográficos e avaliações técnicas obrigatórias.

Outras missões de grande porte marcaram o histórico recente no estado, a exemplo da Operação Hidra Dourada, entre Autazes e Novo Aripuanã, e da Operação Xapiri, em Borba, onde dezenas de maquinários foram neutralizados e trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão. Já no Rio Jandiatuba, a Operação Nidaid Isquim atuou na proteção de terras tradicionais no Vale do Javari.

Para a superintendência regional, o apoio popular às investidas contra a exploração ilegal confere ainda mais respaldo institucional ao trabalho realizado nas florestas e rios da Amazônia.

“Se a sociedade apoia, então isso nos encoraja muito mais e também nos dá muito mais responsabilidade, no sentido de que é preciso compreender e continuar fazendo o trabalho certinho”, concluiu Joel Araújo.

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