Após meses de campanha e bilhões de dólares gastos com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms, em inglês), o dia da eleição finalmente chegou. As últimas pesquisas eleitorais indicam que os democratas aparentemente detêm a vantagem. Mas as pesquisas nem sempre são confiáveis, e este ano pode trazer resultados surpreendentes.
De forma geral, existem três resultados possíveis que podem surgir após a contagem dos votos. Detalhamos aqui quais são eles, os primeiros sinais que podem surgir durante a apuração e o que cada uma destas possibilidades representa para os Estados Unidos.
Uma grande onda democrata
Se o histórico servir de alguma coisa, as midterms costumam favorecer o partido que está na oposição. Acrescente-se que as pesquisas indicam um presidente historicamente impopular, uma guerra contra o Irã que aumentou o custo de vida no país e algumas políticas polêmicas, como o combate agressivo à imigração e o apoio para a construção de data centers no país. Estes fatores formam as condições necessárias para a chamada onda eleitoral.
Neste primeiro cenário, o que acontece é exatamente uma onda enorme. Os democratas poderão não só assumir o controle da Câmara dos Representantes, mas ultrapassar em muito as 218 cadeiras necessárias para a obtenção da maioria. Eles podem conquistar não só as cerca de 12 vagas que os analistas consideram indefinidas, mas também inverter algumas cadeiras consideradas mais sólidas em poder dos conservadores. No Senado, este cenário também exigiria que os democratas conquistassem todas ou a maioria das cadeiras atualmente indefinidas, incluindo algumas em Estados tradicionalmente conservadores.
Primeiros sinais durante a apuração
Se os democratas mantiverem suas cadeiras na Câmara na Flórida e conquistarem alguns distritos republicanos na Carolina do Norte, Michigan, Nova York, Virgínia e Kentucky. Se eles conquistarem a vaga republicana no Senado na Carolina do Sul, esta será uma boa noite para os democratas.
Um avanço democrata modesto
Talvez as pesquisas não estejam totalmente erradas, mas também não completamente certas. Neste cenário, pode ocorrer que os democratas colham frutos nas eleições para a Câmara e conquistem a maioria, mas não de forma expressiva. Isso significaria que os líderes democratas na Câmara precisariam disputar regularmente com seus membros mais à esquerda e do centro para garantir votos suficientes para a aprovação de novas leis.
No lado do Senado, neste cenário hipotético, os democratas reverteriam apenas uma ou duas cadeiras (a Carolina do Norte, por exemplo, que parece garantida), mas as disputas nos bastiões conservadores acabariam ficando inatingíveis. Talvez eles não consigam conquistar a vaga da resiliente senadora republicana Susan Collins, do Maine. Ou o candidato de esquerda Abdul El-Sayed pode não conquistar a vaga de Michigan para os democratas.
O impacto de um Congresso dividido
Para que prevaleça este cenário de “vitória modesta”, o grande comparecimento dos eleitores democratas que observamos na votação antecipada precisará ser igualado por uma onda de republicanos no dia da eleição. Os esforços de Trump, convocando sua base nos Estados republicanos, poderão ajudar seu partido a evitar o pior cenário. O resultado seria um Congresso dividido, que é a receita perfeita para um impasse político.
Uma boa noite para os republicanos
Este cenário significa a manutenção dos congressistas republicanos nas duas câmaras do Congresso. Para que isso aconteça, as pesquisas precisam estar erradas e as disputas indefinidas seriam definidas em favor dos republicanos. Nesta hipótese, os eleitores republicanos precisariam comparecer às urnas em números inesperadamente significativos.
Com isso, os republicanos poderão conseguir uma maioria apertada, graças, em parte, aos esforços para traçar linhas distritais mais favoráveis para o Congresso, em Estados como o Texas, a Flórida e a Carolina do Norte. Se isso acontecer, Trump poderá reivindicar um mandato eleitoral renovado e levar adiante sua agenda política.






