Moradores da cidade de Alegre, localizada no Sul do Espírito Santo, tiveram uma surpresa na última segunda-feira (2) ao se depararem com um urutau empoleirado no muro de uma residência situada no bairro Campo de Aviação.
Atuação de especialista
O registro foi realizado pelo biólogo e ambientalista Vinícius Cavati, acionado por uma moradora da localidade. Conforme a avaliação do profissional, o animal estava saudável, sem ferimentos e fora de perigo.
“[A espécie] é muito conhecida por antigos em lendas e contos dos povos originários. Seu canto melancólico que parece um choro triste é admirado por uns e temido por muitas pessoas”, relatou Vinicius em uma publicação que viralizou nas redes sociais.
Adaptação e sobrevivência urbana
Com hábitos predominantemente noturnos, a espécie se destaca pela impressionante capacidade de camuflagem. Suas penas mimetizam a textura de galhos e troncos, o que justifica a alcunha de ave fantasma, já que o animal costuma passar o dia imóvel nesses locais.
“É uma ave de metabolismo lento durante o dia. À noite ela se torna mais ativa e ágil, mas não apresenta nenhum tipo de agressividade”.
O avistamento em zonas urbanas tem se tornado mais frequente. O biólogo pontua que a expansão das cidades sobre os habitats naturais empurra a fauna silvestre para perto das residências em busca de proteção.
“O urutau ocorre em toda a Mata Atlântica e Cerrado. Mas devido à fragilidade que o nosso ecossistema enfrenta, os animais estão procurando as áreas urbanas para encontrar abrigo e refúgio”, explicou.
Reprodução e alimentação peculiar
A biologia do animal reserva características incomuns, especialmente na hora da reprodução. Diferente de outras aves, o urutau não constrói estruturas complexas para a prole.
“É uma característica muito interessante: ela não faz um ninho de muita engenharia. Ela põe seus ovos em cima de um toco, de cerca ou de uma árvore caída”, destacou o biólogo.
A camuflagem também protege os ovos contra predadores. Na hora de caçar, a espécie utiliza uma técnica própria, capturando insetos voadores com o auxílio de seu bico largo, que funciona como uma armadilha durante o voo.
Folclore e misticismo
Além de toda a biologia, a espécie desperta curiosidade devido às lendas indígenas e populares que a cercam. A fama de mãe-da-lua e o som característico geram diferentes interpretações na cultura nacional, variando entre mitos de mau agouro e romances trágicos contados pelos povos originários.






