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Carla Zambelli cobra 50 reais mensais de apoiadores para sobreviver no exterior

Carla Zambelli pede R$ 50 por mês a apoiadores para se manter na Itália

A ex-deputada Carla Zambelli solicitou auxílio financeiro nesta segunda-feira (2) para se sustentar na Itália, país onde reside desde o ano passado na expectativa de uma definição da Justiça local sobre um processo de extradição para o território brasileiro.

Bloqueio bancário e justificativa financeira

De acordo com a ex-parlamentar, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu seu nome na lista da Interpol sob acusação de crime financeiro, o que impede a abertura de contas em instituições bancárias ao redor do planeta.

“Só que aqui na Itália, para você trabalhar, você precisa ter uma conta no seu nome, para que a pessoa deposite o seu salário na sua conta. E infelizmente eu não tenho como fazer isso.”

Como contrapartida pelas doações de R$ 50 mensais, ela promete criar uma comunidade virtual com materiais exclusivos abordando diversos temas e reflexões sobre o período em que esteve detida.

“Nós vamos falar sobre tudo e também vou passar um pouco da experiência que eu tive na prisão e o que isso me ensinou. Eu tenho certeza de que isso pode ajudar em alguma coisa na sua vida.”

Ainda segundo a política cassada, a campanha de arrecadação tem caráter temporário, servindo apenas até que sua situação jurídica seja resolvida.

Julgamento de extradição adiado

O Tribunal de Apelação de Roma remarcou para o dia 24 de novembro a análise do pedido de extradição formulado pelo governo brasileiro. A defesa alegou ausência de documentos enviados pelo Brasil referentes às condições estruturais da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

A solicitação de envio ao Brasil já havia recebido aval inicial na justiça italiana, mas os advogados conseguiram reverter o cenário na Corte de Cassação devido à escassez de dados sobre o sistema prisional nacional. Em episódios anteriores envolvendo a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a defesa obteve sucesso ao apontar suposta falta de imparcialidade por parte do relator no STF.

O advogado Eduardo Maurício declarou em nota que a realização da sessão era inviável sem o acesso completo aos papéis, ressaltando que não seria “possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolve a garantia à saúde da ex-deputada”.

O defensor também argumentou que “extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante”.

Histórico de condenações no Supremo

A ex-parlamentar acumula penas severas impostas pela Suprema Corte em 2025. O primeiro caso envolveu a invasão cibernética ao CNJ em 2022 para emitir um mandado de prisão apócrifo contra o ministro Alexandre de Moraes, resultando em 10 anos de reclusão por invasão de sistema informático e falsidade ideológica.

O segundo processo resultou em 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto pelo episódio em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo nas ruas da capital paulista na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

A saída do Brasil ocorreu com o uso de passaporte europeu rumo aos Estados Unidos e, posteriormente, à Itália, onde ingressou com pedido de refúgio político. Após passagens por detenções em Roma e decisões favoráveis em instâncias de recursos, ela permanece no país europeu aguardando os desdobramentos judiciais.

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