Moradores da comunidade ribeirinha Caicubi, localizada no Baixo Rio Branco, no município de Caracaraí, ao Sul de Roraima, denunciam um atraso de um ano e oito meses nas obras de construção de uma nova Unidade Básica de Saúde. O projeto foi contratado pelo valor de R$ 921.883,84.
Entraves no cronograma e paralisação do projeto A ordem de serviço para o início dos trabalhos foi assinada em 27 de setembro de 2024, estabelecendo um prazo de conclusão de apenas 90 dias. Com isso, a entrega deveria ter ocorrido em fevereiro de 2025, mas a edificação encontra-se estagnada após a demolição do antigo posto de atendimento para a implantação da nova estrutura.
Em nota oficial, a prefeitura de Caracaraí comunicou que adotou as providências administrativas necessárias e notificou a empresa responsável para exigir a regularização do canteiro. Embora a placa afixada no local exiba a logomarca estadual, o governo de Roraima declarou que “a obra não é do Estado”.
Atendimento improvisado e falta de infraestrutura Atualmente, os serviços médicos prestados à população ocorrem provisoriamente dentro do alojamento destinado aos profissionais de saúde da região. De acordo com o líder comunitário Júlio Araújo, o local é exíguo e carece de condições básicas para o acolhimento adequado dos pacientes.
“O espaço é limitado. Não tem nem como o paciente ser atendido como merece e não tem um espaço para tomar soro. A gente se sente praticamente abandonado pela gestão pública. Tem comunidade vizinha aqui que vive à míngua: não tem técnico de enfermagem, não tem agente de saúde e não tem nem uma casinha para atender as pessoas”, relatou.
A equipe médica local conta com dois enfermeiros e uma agente comunitária, enquanto a compra de remédios é financiada por verbas obtidas pela associação de moradores por meio do turismo regional. Em situações graves, como picadas de animais peçonhentos, os doentes precisam ser levados de lancha até o município de Barcelos, no Amazonas.
Custos logísticos e apelo por dignidade A própria associação comunitária arca com os gastos de combustível para essas viagens de remoção, já que a prefeitura não supre esse insumo de maneira constante, problema agravado pelos períodos de estiagem que dificultam a navegação fluvial.
Uma moradora, que optou por não ter a identidade divulgada, sintetizou a angústia dos habitantes locais: “Para nós, ter uma UBS estruturada não é um luxo, mas uma necessidade urgente. Precisamos de um espaço adequado para o atendimento, tanto para os moradores quanto para os profissionais que trabalham diariamente para cuidar da nossa população”.
Além da pendência na área da saúde, os habitantes do Baixo Rio Branco também enfrentam problemas com a precariedade da infraestrutura escolar, que atualmente deixa crianças sem aulas presenciais na região.






