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Vacinação contra sarampo no Vale do Paraíba está abaixo da meta

Vacinação contra o sarampo: 2ª dose está abaixo da meta no Vale; aumento de casos em SP acende alerta

A cobertura vacinal contra o sarampo nas principais cidades do Vale do Paraíba e região permanece abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. O cenário é mais crítico na aplicação da segunda dose do imunizante: nenhum dos nove municípios da região analisados atingiu o índice ideal de imunização do público-alvo. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 95% para ambas as doses.

A imunização é a principal forma de prevenção contra a doença e é feita gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Na primeira dose, apenas três cidades alcançaram ou superaram a meta: Caraguatatuba com 99,91%, Atibaia com 98,80% e Caçapava com 96,01%. Os municípios mais populosos, São José dos Campos e Taubaté, registraram avanço recentemente, mas continuam abaixo do recomendado. Em São José dos Campos, a cobertura passou de 82,81% para 93,81% na primeira dose e de 70,75% para 78,91% na segunda entre agosto e outubro. Em Taubaté, a taxa está em 94,46% na primeira aplicação e cai para 79,84% na segunda.

Entenda o abandono vacinal A diferença expressiva entre o percentual de crianças que recebem a primeira dose aos 12 meses e o das que retornam aos postos para a segunda aplicação aos 15 meses caracteriza o abandono vacinal. Em Ubatuba e Caçapava, a taxa da segunda dose recua para 73,37% e 74,12%, respectivamente.

De acordo com o médico infectologista Antonio Sérgio Mathias, a criança que recebe apenas a primeira dose adquire proteção parcial, mas não atinge a imunidade necessária.

“A criança que chegou a tomar a primeira dose e atrasa na segunda dose está protegida até certo ponto, mas não de fato com a imunidade necessária para combater o vírus. O responsável que perdeu o prazo não precisa esperar uma nova campanha: basta procurar a unidade básica de saúde, que vai conferir as doses válidas e completar o que falta no esquema”, explicou Antonio Mathias.

O médico destaca que o atraso na segunda aplicação costuma estar associado à rotina.

“O que mais pesa é o próprio esquecimento com a sobrecarga do dia a dia ou o desconhecimento de que é necessário completar o esquema. Muitas vezes a caderneta fica guardada em casa embaixo de outros documentos e os pais deixam passar”, avaliou o médico.

Cenário no estado e alerta na região Até o momento, não há registro de casos confirmados de sarampo no Vale do Paraíba em 2026. No entanto, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo contabiliza 41 casos confirmados no estado neste ano, sendo 37 na capital, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André. Nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% até o momento. A proximidade geográfica e o fluxo diário de moradores mantêm o alerta ligado para evitar a reintrodução do vírus.

Em São José dos Campos, a secretária adjunta de Saúde, Joselma Alves, afirmou que os registros na região metropolitana motivaram uma força-tarefa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

“Nós não temos esses casos na cidade, mas no estado, isso levantou um alerta para a população. Isso levou a população a ir buscar a vacina na unidade básica de saúde. Mas todas as nossas unidades básicas aproveitam todos os atendimentos para conscientizar e trazer a população à vacinação. É extremamente importante porque as nossas crianças precisam ser vacinadas e imunizadas com duas doses”, afirmou Joselma.

Sintomas e complicações Nos primeiros dias, o sarampo pode ser confundido com gripe ou resfriado forte. Os principais sinais incluem febre alta, tosse persistente, coriza, vermelhidão nos olhos com lacrimejamento e manchas avermelhadas na pele que surgem no rosto e se espalham pelo corpo.

“Então, se tem alguns sintomas parecidos com esses, procurar a unidade básica de saúde, evitar os ambientes de alta circulação porque a transmissão é respiratória, é através da fala, da tosse, do espirro e é muito fácil essa contaminação”, orientou a secretária adjunta Joselma Alves.

Segundo o infectologista Antônio Sérgio Matias, a dor de ouvido é a complicação mais frequente, mas o paciente corre o risco de desenvolver pneumonia severa.

“Na evolução para pneumonia, a criança ou o adulto pode precisar de ventilação mecânica, ser intubado e, mesmo assim, não resistir”, complementou Antonio.

Público-alvo e contraindicações A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde. O esquema do Ministério da Saúde recomenda a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses para crianças; duas doses para pessoas de 15 meses a 29 anos; pelo menos uma dose para adultos de 30 a 59 anos; e duas doses para trabalhadores da saúde. A dose zero é indicada para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em áreas com recomendação ativa, funcionando como proteção emergencial que não substitui o calendário regular.

O imunizante possui vírus vivo atenuado e é contraindicado para gestantes, bebês menores de 6 meses, pessoas com alergia grave a componentes anteriores e pacientes imunossuprimidos, como pessoas em tratamento contra o câncer. Em caso de dúvidas, a orientação é consultar uma equipe de saúde antes da aplicação.

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