A jurista sul-africana Navi Pillay, laureada com o Prêmio Nobel da Paz 2026, fez um apelo direto aos Estados Unidos para que o país recupere seu histórico compromisso com a proteção dos direitos humanos globais. A magistrada, que atua na Corte Internacional de Justiça (CIJ), destacou que a atual política externa de Donald Trump, marcada pelo isolacionismo e pela redução de verbas para ajuda humanitária, enfraquece a ordem internacional.
O papel dos Estados Unidos no cenário global
Em entrevista concedida em Haia, Pillay, de 85 anos, sublinhou a necessidade de uma mudança de rumo na diplomacia de Washington. “Minha mensagem é: ‘Vocês precisam voltar a desempenhar seu papel de liderança com seriedade, exercendo uma função libertadora para o resto do mundo’”, afirmou a jurista. A postura da vencedora do Nobel contrasta com a retórica antiglobalista do governo americano, que tem intensificado ataques à ONU e ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
Tensões entre Washington e o TPI
A crítica de Pillay ganha força diante das recentes sanções impostas pela Casa Branca contra o TPI, tribunal responsável por julgar crimes de guerra e contra a humanidade. As medidas, que visam punir até mesmo empresas que prestam serviços à corte, foram interpretadas pela jurista como o ápice de um plano de longa data. “Acho isso muito lamentável. No entanto, os planos para atacar a justiça criminal internacional por meio do TPI já vinham sendo elaborados havia muito tempo”, declarou.
Ameaças do governo Trump
A hostilidade americana atingiu um novo patamar com declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, que classificou o órgão como um “tribunal desonesto”. Em um vídeo, Rubio foi enfático sobre a intenção de Washington: “Ou o TPI acabará com suas ameaças, ou nós acabaremos com o TPI”. O secretário ainda instou aliados internacionais a pressionarem a instituição, alegando que o tribunal estaria “fora de controle”.
Contexto das investigações internacionais
O desgaste na relação entre os EUA e o TPI intensificou-se após a emissão de mandados de prisão contra líderes como Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin. O governo Trump tem demonstrado especial resistência à jurisdição da corte, que pode processar indivíduos por crimes cometidos em territórios de países-membros. O debate sobre a legalidade e a autonomia do tribunal permanece no centro das tensões geopolíticas, enquanto Navi Pillay reafirma a importância da justiça criminal internacional como pilar da estabilidade mundial.






