Home / Saúde / Tancredo Neves e a história do presidente que não tomou posse

Tancredo Neves e a história do presidente que não tomou posse

Relembre a trajetória de Tancredo Neves, 1º presidente eleito no Brasil após a ditadura

A liberação de registros médicos sigilosos pela Justiça Federal traz novos holofotes para a trajetória de Tancredo Neves e reacende o debate histórico sobre os bastidores da redemocratização nacional.

Origens e carreira política inicial Natural de São João del Rei, onde nasceu em 4 de março de 1910, o político formou-se em Direito em 1932 e iniciou sua trajetória pública como vereador entre 1935 e 1937. Filiado ao Partido Social Democrático, atuou como deputado estadual e federal, além de assumir o Ministério da Justiça nos meses que antecederam o suicídio de Getúlio Vargas em 1953, acumulando também passagens por cargos em instituições financeiras.

Atuação nos governos de Jânio e Jango Durante a crise gerada pela renúncia de Jânio Quadros e a instauração do parlamentarismo, o mineiro exerceu o cargo de primeiro-ministro durante a gestão de João Goulart entre 1961 e 1962. Com a instauração do regime militar em 1964, passou a atuar na oposição pelo MDB, conquistando novos mandatos na Câmara dos Deputados e elegendo-se senador em 1978, antes de comandar o governo mineiro a partir de 1982 pelo PMDB.

A vitória no Colégio Eleitoral e o fim da ditadura Defensor do movimento Diretas Já, integrou a articulação da Aliança Democrática após a rejeição da emenda constitucional. Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral o consagrou vencedor com 480 votos frente aos 180 obtidos por Paulo Maluf, sacramentando o encerramento de duas décadas de governos militares.

A internação hospitalar e a comoção nacional Horas antes da cerimônia de posse agendada para 15 de março de 1985, o político sentiu fortes dores abdominais e foi hospitalizado em Brasília, passando por sete intervenções cirúrgicas antes de ser levado a São Paulo, onde faleceu em 21 de abril aos 75 anos. O episódio levou José Sarney ao comando do país e transformou a figura do líder mineiro em um grande emblema da transição democrática.

A decisão recente da Justiça Federal A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou, em 26 de outubro de 2026, que os conselhos federal e regional de medicina entreguem a um dos filhos do ex-presidente os prontuários solicitados. A medida atende a um pleito fundamentado no interesse legítimo familiar e na preservação da memória histórica, mantendo inalterada a narrativa oficial sobre as complicações infecciosas que causaram o óbito.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *