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Eleições nos EUA definem futuro de Trump e laços com o Brasil

Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula

As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos prometem redesenhar o cenário político de Washington e impactar diretamente as relações diplomáticas com o Brasil. O pleito ocorre em um momento de forte queda na popularidade da administração republicana e pode resultar na perda de controle do Congresso americano.

Panorama das eleições legislativas americanas A votação determinará todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 assentos no Senado e 39 governos estaduais. Pesquisas de intenção de voto apontam a possibilidade de uma “onda azul”, indicando que o Partido Democrata pode conquistar a maioria na Câmara e pressionar a agenda do governo.

Atualmente, o Partido Republicano comanda o Executivo e o Legislativo, o que facilitou a implementação de tarifas comerciais e ações de política externa. Com uma possível oposição forte no Congresso, o cenário para os próximos anos de mandato pode mudar radicalmente.

Impacto nas relações bilaterais e comércio exterior Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os laços entre Washington e Brasília enfrentam turbulências, marcados por tarifas sobre produtos brasileiros e sanções diplomáticas. O governo brasileiro tem apostado em um discurso de soberania enquanto busca contornar os atritos institucionais.

“Lula sempre foi muito pragmático nas suas relações com os EUA”, diz à BBC News Brasil o historiador Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade Temple, na Filadélfia.

“Embora tenha utilizado o discurso da soberania como instrumento eleitoral, jamais se furtou de manter aberta a busca por relações através de canais institucionais, bilaterais, com os EUA”, observa.

Descontentamento interno e popularidade em baixa O presidente americano enfrenta críticas devido ao custo de vida, inflação, políticas de imigração e decisões no cenário internacional. Esse descontentamento tem enfraquecido o apoio popular, inclusive entre eleitores hispânicos e jovens que impulsionaram sua vitória anterior.

Historicamente, o partido opositor costuma avançar nas eleições de meio de mandato, e os democratas lideram pesquisas recentes para a Câmara. No Senado, a disputa é mais acirrada, mas uma mudança de comando traria maior poder de fiscalização sobre o Executivo.

Fiscalização e política externa na América Latina Com o controle de comitês legislativos, os democratas poderiam intensificar investigações sobre a política externa e o uso de tarifas comerciais. A atuação de Marco Rubio no Departamento de Estado e a estratégia de segurança na América Latina também entrariam no radar de fiscalização do Congresso.

“Rubio tem aspirações presidenciais, é uma espécie de pré-candidato republicano”, diz Martins.

“Se os democratas assumirem o controle de ambas as Casas e, consequentemente, dos comitês (no Legislativo), vão fazer uma oposição especificamente na política externa, porque ali está um potencial adversário (para a eleição presidencial de 2028).”

“Consequentemente, a América Latina vai se impor como uma agenda dessa oposição democrata exatamente porque, para Rubio, a América Latina sob domínio americano é uma tarefa específica dele, delegada diretamente pelo presidente dos EUA”, afirma Martins.

Desafios e transição política nos EUA Especialistas apontam que um Legislativo hostil pode limitar as ações da Casa Branca, embora o presidente ainda disponha de decretos executivos para tentar avançar sua agenda. A transição para o período pós-Trump e o surgimento de novos atores políticos exigirão cautela da diplomacia brasileira.

“O governo Lula terá de procurar uma melhor relação com o governo Trump, mas ao mesmo tempo também construir pontes e uma relação com novos atores que vão estar se preparando para 2028”, afirma a consultora Kristina Rosales.

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