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Canadá e Estados Unidos sinalizam trégua em guerra comercial

Carney e Trump abrem caminho para trégua após meses de guerra comercial

Uma recente conversa entre o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inaugurou uma perspectiva de conciliação nas relações comerciais entre os dois países. Em postagem realizada na rede social X no domingo (1º), o líder canadense avaliou o contato de forma construtiva e informou que os gabinetes de governo atuarão nas próximas semanas na busca por um pacto.

“Tive uma boa conversa com o presidente Donald Trump sobre o futuro do comércio entre Canadá e Estados Unidos”, escreveu Carney.

Apesar da sinalização de degelo, o entendimento ainda não está formalizado. Até o momento, nenhum detalhe foi divulgado sobre as exigências de um eventual acordo ou quais restrições tarifárias cairão. As tratativas envolvem a chance de flexibilização nas taxações aplicadas pelos americanos ao aço e aos carros produzidos no país vizinho.

Metas e salvaguardas para o mercado canadense

Durante sua postagem, o premiê detalhou as metas pretendidas e destacou os limites considerados inegociáveis por seu governo.

“Isso dá continuidade às nossas recentes discussões construtivas sobre as linhas gerais de um acordo comercial mutuamente benéfico, que criaria empregos para nossos trabalhadores, melhoraria o poder de compra das famílias e respeitaria plenamente os idiomas, a cultura e a soberania do Canadá”, afirmou.

O foco na soberania, na cultura e nas línguas oficiais responde diretamente às divergências passadas. Em agosto, Ottawa havia interrompido as conversas ao refutar demandas dos Estados Unidos que colocariam em risco a autonomia nacional, as salvaguardas ao idioma francês e o setor automotivo. O desentendimento resultou em uma sobretaxa de 50% imposta pelos EUA a cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses, gerando imediata resposta do governo do Canadá.

Pressão política nas eleições americanas

A reaproximação diplomática surge em um cenário politicamente delicado para a administração de Washington. Com as eleições de meio de mandato agendadas para a terça-feira, 3 de novembro, a disputa econômica entrou na pauta eleitoral de estados fronteiriços, a exemplo de Michigan e Maine. Dias antes, Trump já havia indicado otimismo quanto a um acerto, enquanto autoridades canadenses tratavam os avanços com maior cautela.

Em Michigan, o candidato republicano ao Senado Mike Rogers exigiu o encerramento do conflito tarifário. No Maine, a senadora republicana Susan Collins cobrou reduções nas taxas cobradas sobre insumos canadenses essenciais para produtores rurais e empresas locais, evidenciando que o desgaste econômico afeta também a base do chefe de Estado americano.

No âmbito de Ottawa, o otimismo vem acompanhado de ressalvas. Na segunda-feira anterior, Carney pontuou que os avanços ocorriam porque a Casa Branca estaria cedendo às diretrizes canadenses, e evitou garantir o cumprimento integral de eventuais pactos por parte de Trump.

Próximos passos e cautela diplomática

Para o futuro imediato, o primeiro-ministro reforçou o planejamento bilateral: “Nossas equipes trabalharão nas próximas semanas para alcançar esse resultado”.

Embora exista um canal aberto para aplacar os ânimos, o grande desafio será converter o diálogo político em termos práticos capazes de eliminar barreiras alfandegárias e assegurar estabilidade econômica para indústrias e profissionais de ambas as nações.

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