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Fuvest 2027 exige interpretação profunda e foco interdisciplinar

Fuvest 2027 cobra interpretação, repertório e conexão entre diferentes áreas do conhecimento, avaliam professores

A primeira fase da Fuvest 2027, realizada em um domingo (1º), destacou-se pela forte interdisciplinaridade, inclusão de debates contemporâneos e exigência avançada de interpretação textual. Educadores de colégios e cursos preparatórios de São Paulo analisaram que, embora o exame tenha reduzido o total de perguntas de 90 para 80 — mantendo o limite de cinco horas —, a avaliação seguiu extensa e trouxe indagações mais complexas com enunciados longos e variados formatos visuais.

Temas atuais e cultura pop na seleção da USP

O processo seletivo para ingressar na Universidade de São Paulo (USP) abordou referências de grande repercussão midiática. Entre os tópicos esteve a condição genética do ator Gaten Matarazzo, da série Stranger Things, uma imagem do cantor Bad Bunny com a bandeira de Porto Rico, além de discussões sobre o término da escala de trabalho 6×1, crise climática, inteligência artificial e pautas sociais.

Vera Lúcia Antunes, coordenadora pedagógica do Objetivo, definiu a avaliação como criativa e atualizada. “Uma prova criativa e muito bem elaborada e apesar de terem diminuído 10 questões, ainda foi uma prova extensa, que exigiu do candidato domínio de vocabulário e de conceitos”, afirmou ela, ressaltando o uso diversificado de suportes como músicas, gráficos e obras literárias.

Desafios na leitura e correlação de áreas

Henrique Braga, coordenador do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, doutor pela USP e autor de materiais didáticos, pontuou que a expectativa de cobrar processos mentais mais complexos devido à diminuição de questões realmente se confirmou. O educador enfatizou os itens que demandavam cruzamento entre diferentes gêneros, a exemplo de tabelas e gráficos, o que tende a elevar a exigência cognitiva.

“Mas, em geral, foi uma prova que valorizou o bom leitor, seja nas questões de ciências humanas, de linguagens, de natureza ou de matemática. O bom leitor teve, enfim, vantagens nesse exame”, afirmou Braga. O especialista também comentou sobre a “falsa contextualização” em um item envolvendo o cantor Bad Bunny, cuja resolução dependia de repertório prévio, e criticou uma questão com foco negativo que pedia a alternativa incorreta.

Obras literárias e diálogo cultural

Sob a perspectiva de Roberta Hernandes Alves, doutora em Literatura Brasileira pela USP e docente da Escola Gracinha, o exame funcionou como uma avaliação ampla de Linguagens. Cerca de 20% da prova concentrou essa área, articulando as nove leituras obrigatórias com reflexões críticas e conexões entre autores canônicos e manifestações populares.

“Assim, não bastava conhecer as obras, mas era necessário mobilizar ferramentas críticas para interpretá-las em diálogo com a história, a sociologia, a filosofia e as artes”, afirmou a professora, mencionando ainda a forte presença de escritoras e abordagens decoloniais.

Estatísticas e estrutura da prova

Levantamentos pedagógicos apontaram que cerca de 28% das questões exigiram conhecimentos integrados de duas ou mais disciplinas. O exame também contou com 59% de textos verbais e 41% de elementos visuais, como gráficos, tabelas, fotografias e esquemas científicos.

Nesta edição, a disputa registrou 106.165 inscritos para 80 questões de múltipla escolha. Medicina liderou a concorrência com 76,3 candidatos por vaga, seguida por Psicologia em São Paulo (50,9 c/v) e em Ribeirão Preto (37,5 c/v). Os convocados para a segunda fase serão anunciados em 23 de novembro, com as provas ocorrendo nos dias 6 e 7 de dezembro.

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